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quinta-feira, 3 de julho de 2008

Será hoje, pelas 18h30 no Chiado

Um Olhar Sobre a Pobreza - Vulnerabilidade e exclusão social no Portugal contemporâneo

de Alfredo Bruto da Costa (coordenador), Isabel Baptista, Pedro Perista e Paula Carrilho

"Em Portugal, a pobreza continua, de modo geral, a ser entendida como fenómeno residual e periférico. Os programas de combate à pobreza têm sido, igual e maioritariamente, residuais e periféricos (...)

Com efeito, durante pelo menos um dos anos do período entre 1995 e 2000 passaram pela pobreza 46% de portugueses (...)

Este livro põe em evidência que a pobreza, enquanto problema persistente da sociedade portuguesa, exige soluções que dependem não apenas de políticas sociais, certamente indispensáveis, mas também da política económica."

Lançamento no Centro Nacional de Cultura dia 3 de Julho pelas 18.30.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Lembram-se?

Entrevista a Ricardo Reis 2007-08-29 00:05

Num mês não se falará nesta crise do crédito

A nova estrela da economia nacional, Ricardo Reis, de 27 anos, fala sobre o momento económico: “é uma crise de liquidez e não financeira”, explica o professor na universidade americana de Princeton.

Podem ver a entrevista completa aqui.

Gostava mesmo de saber qual a opinião actual de Ricardo Reis...

Adenda: Para minha surpresa acabei por ser informado pelo próprio Ricardo Reis que efectivamente o título da entrevista foi completamente retirado do contexto, algo que uma leitura atenta da mesma permitiria perceber. As minhas desculpas ao visado, pelo lapso.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Vai uma conta da EDP?

Quando vi pela primeira vez esta notícia aqui, quase nem podia acreditar, mas hoje ao dar uma olhadela a um outro jornal online, voltei a deparar-me com a mesma notícia (vale a pena ler os comentários até ao fim, eu pelo menos fi-lo, até porque tinha esperança de encontrar alguém que fosse contra a maré e realmente apresentasse uma explicação lógica para tamanho disparate - sem sucesso).

E ainda por cima o secretário geral da DECO afirma que "(...) à luz do princípio de que são os consumidores que pagam tudo, "é provável" que os custos dos incobráveis já estejam a ser pagos pelos clientes de forma "encapotada (...)".

Mas será que anda tudo a dormir??? A ERSE em vez de andar apresentar propostas injustas, por detrás da chamada transparência (e ainda nos toma por parvos), deveria era investigar se de facto já estamos a pagar pelos incobráveis ou não!

É claro que os nossos governantes já vieram manifestar a sua indignação, mais uma vez querendo-nos fazer crer que de facto não estariam de antemão ao corrente destas propostas.

É o circo no seu melhor, e o Povo vai assistindo...

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Alemães recusam notas de Euro do Sul da Europa

Será que era a isto que Cavaco silva falava aquando da sua dissertação acerca da "boa" e da "má" moeda?

"Support for euro in doubt as Germans reject Latin bloc notes


Notes printed in Berlin have more currency for bank customers who fear a 'value crisis'
Ordinary Germans have begun to reject euro bank notes with serial numbers from Italy, Spain, Greece and Portugal, raising concerns that public support for monetary union may be waning in the eurozone's anchor country. Germany's Handelsblatt newspaper says bankers have detected a curious pattern where customers are withdrawing cash directly from branches, screening the notes to determine the origin of issue. They ask for paper from the southern states to be exchanged for German notes. Each country prints its own notes according to its economic weight, under strict guidelines from the European Central Bank in Frankfurt. The German notes have an "X"' at the start of the serial numbers, showing that they come from the Bundesdruckerei in Berlin.

(...)People clearly suspect that southern notes may lose value in a crisis, or if the eurozone breaks apart. This is what happened in the US in the Jackson era of the 1840s when dollar notes from different regions traded at different values.

(...)Inflation touches a very sensitive nerve in Germany. Holger Schmeiding, from Bank of America, said the country had suffered two traumatic sets of inflation in living memory, first in Weimar in 1923 and then in 1948.

(...)A group of leading German professors warned at the outset of EMU that the euro would tend to be weaker than old Deutsche Mark, and that it would fuel inflation over time. German citizens were never given a vote on the abolition of the D-Mark, which had become a symbol of Germany's rebirth after the war. Many have kept a stash of D-Marks hidden in mattresses to this day. A recent IPOS poll showed that 59pc of Germany now had serious doubts about the euro. "


Podem ver a notícia completa aqui.


(Imagem retirada daqui)

terça-feira, 3 de junho de 2008

20 Perguntas & Respostas sobre o choque petrolífero

P: Estamos a atravessar um terceiro choque petrolífero?
R: Estamos. A escalada dos preços do crude colocou a barreira do preço médio durante este primeiro quadrimestre de 2008 já acima dos valores reais do 2º choque petrolífero do início dos anos 1980.

P: Que tipo de medidas podem ser tomadas para contrariar a escalada de preços do petróleo?
R: Em mercado aberto, só há uma saída: contrair a procura destas «commodities», alterando o padrão de consumo. Apesar de a procura estar a descer nos países da OCDE, graças aos ganhos de eficiência realizados já no século XXI, ela tem aumentado no mundo emergente. Dada a consciência de que se está a atingir um tecto de produção (o chamado ‘pico do petróleo’), a oferta deixou de poder satisfazer os apetites do consumo. Medidas de subsidiação aos consumidores (como existem largamente nos países produtores e nos emergentes importadores) serão sempre transitórias e terão efeitos perversos a prazo. O choque da realidade, como acontece hoje na Indonésia, é um aviso.

P: Qual é a produção actual de petróleo?
R: É de 86 milhões de barris de combustíveis líquidos por dia de origem fóssil a que se pode adicionar 1 milhão de barris diários de bio-combustíveis. No total dos 86 milhões, incluem-se 74 milhões de barris de crude por dia, mais 8 milhões de barris de líquidos associados ao gás natural (NGL), 4 milhões em outros líquidos e ganhos nas refinarias.

P: E qual é a procura mundial?
R: Há a noção de haver um défice que se irá alargando. Os especialistas estimam a procura aproximada de um modo indirecto: a oferta mundial de líquidos deveria ser superior a 90 milhões de barris por dia para os preços se manterem abaixo dos 100 dólares, e superior a 95 milhões de barris por dia para não ultrapassarem os 50 dólares. Contudo, a procura real ajusta-se à oferta, por efeito da subida de preços.

P: E qual foi o impacto desse efeito de “correcção” por via da subida de preços?
R: O crescimento do consumo teve mesmo de ser moderado. Ele tendia a crescer de 2,5% a 3% ao ano, mas devido à viragem do preço desde 1999, e particularmente desde 2001, o aumento anual do consumo abrandou para 1,5%. No futuro próximo, terá mesmo de se contrair.

P: Mas quanto poderá crescer a oferta nos próximos anos?
R: A oferta de crude propriamente dito tem estado estagnada desde 2005. Estima-se que possa crescer 3 milhões de barris por dia até 2012. Mas tendo em conta as altas taxas de declínio em regiões como o México e o Mar do Norte duvida-se desse aumento. O segundo maior produtor, e patrão da OPEP, a Arábia Saudita, há vários anos que não divulga estimativas sobre a sua margem de manobra. Em termos globais, a oferta de líquidos poderá aumentar até aos 90 milhões de barris por dia até 2012. A Agência Internacional da Energia (AIE) divulgará em Novembro uma avaliação, que segundo os analistas deverá apontar para os 100 milhões em 2020.

P: E será esse aumento suficiente?
R: Não. Segundo o World Energy Outlook da AIE, a oferta deveria aumentar em 37,5 milhões de barris por dia até 2015 para satisfazer a procura estimada, sem alteração do actual padrão de consumo, particularmente em alguns dos emergentes, como a China e a Índia. Prevê-se que os emergentes impliquem um disparo no parque automóvel que poderá quadruplicar nos próximos vinte anos. O défice, em 2015, poderá ser superior a 20 milhões de barris por dia, mesmo no cenário mais optimista.

P: Mas os anúncios de recentes descobertas não são um sinal optimista?
R: Mesmo no cenário mais optimista, o caso recentemente mais publicitado, o da Bacia de Campos, no Brasil, poderá adicionar 500 mil barris por dia.

P: E o Árctico, de que houve agora uma primeira cimeira, não poderá ser a nossa “salvação”?
R: Há uma confusão difundida pelos «media». O número de 400 mil milhões (biliões, na designação anglo-saxónica e no Brasil) de barris é o total estimado de hidrocarbonetos no local. Os valores das reservas tecnicamente recuperáveis são de 50 mil milhões de petróleo (de acesso complexo, cobertos de gelo quase todo o ano) mais 150 mil milhões de gás natural (com a agravante deste gás estar muito disperso por reservatórios de pequena dimensão e de difícil acesso, o que impossibilitaria o seu transporte em gasoduto). Mesmo que esses 50 mil milhões de barris de petróleo fossem extraídos, eles significam um ano e meio de consumo actual. O impacto não é significativo em termos de ‘pico’ do petróleo.

P: Então que efeito poderá ter a pressão política – e mesmo ameaças de sanções através da Organização Mundial de Comércio – junto da OPEP?
R: Nenhum. A OPEP perdeu, realmente, o controlo do limite superior de preços – o célebre tecto máximo do preço do barril – desde 2004. No Verão de 2004, a OPEP atingiu o seu máximo. Exceptuando o Irão, o Iraque e a Venezuela, todos os outros membros do cartel estão a produzir acima da sua quota. O único grande produtor que ainda poderá ter um impacto visível é o Iraque, cuja produção, teoricamente, poderia duplicar. Mas é o problema político que se conhece. Aliás, foi referido que nas três últimas semanas de Abril e na primeira de Maio, a OPEP teria deixado de injectar no mercado 1 milhão de barris por dia.

P:Mas a Arábia Saudita não poderá alterar a situação?
R: É incerto. Poderá provavelmente produzir mais crude de uma variedade que o parque actual mundial de refinarias tem dificuldade de tratar. Poderá aumentar transitoriamente a produção de crude de qualidade mas à custa da produtividade final dos seus campos.

P:E a Rússia que é o maior produtor de crude desde 2006, ligeiramente acima da Arábia Saudita, não poderá dar uma ajuda?
R: Em 2020, a Rússia terá pouco petróleo para exportar. Sendo este um choque adicional que afectará a Europa.

P: É verdade, então, que a subida mais recente de preços, com a ultrapassagem da barreira psicológica dos 100 dólares, é derivada da especulação financeira, e que se deveriam “regular” esses malditos investidores?
R: Não é o factor fundamental, como querem fazer crer a OPEP e alguns políticos, e mesmo George Soros. O peso das aplicações financeiras nesta «commodity» deverá estar a implicar um prémio de 15 dólares por cada barril ao preço actual. Todo o petróleo que aparece para ser transaccionado no mercado acaba actualmente nas refinarias e não é acumulado em inventário a benefício de especuladores.

P:Poderá a opção pela intensificação do uso do carvão – num regresso à energia da Revolução Industrial – como parece acreditar a Shell, nos seus mais recentes cenários, resolver, transitoriamente, o problema?
R: O carvão está a ser usado como energia barata (altamente subsidiada) particularmente na China para embaratecer os custos das suas indústrias em expansão, em particular do aço. Segundo alguns, essa energia barata é o ‘segredo’ dos custos muito baixos chineses, mais do que os próprios salários nominalmente muito baixos. Mas não é solução de modo algum. Segundo o Energy Watch Group, a produção de carvão atingirá o seu pico em 2025. Entretanto, o preço da tonelada de carvão duplicou nos últimos oito meses(um disparo superior ao do barril de petróleo) e a Merrill Lynch estima que possa chegar aos 300 dólares por tonelada, o triplo do preço actual.

P: Há uma relação directa entre a alta do petróleo e a desvalorização do dólar?
R: Há, em parte. Mas essa relação deriva mais da política monetária seguida pela Reserva Federal americana de inundar o mercado de dólares e de emprestar dinheiro abaixo da taxa de inflação durante certos períodos na última década, incluindo ultimamente. Durante alguns curtos períodos de meses, a divergência cambial permitiu alguma almofada a países com divisas mais fortes do que o dólar, como o euro. Contudo, mesmo em euros, o preço do barril disparou . O choque está a chegar a todos em força.

P: Isso significa que o preço do barril poderá baixar se a política monetária americana for invertida?
R: Pode. As oscilações em baixa poderão ocorrer durante algum tempo. Essa mudança para taxas de juro mais altas na América está a ser reclamada por muitos analistas, incluindo por especialistas do FMI. Contudo, o efeito será transitório em termos de preço do petróleo. O mesmo já não será de esperar em termos de agravamento de alguns factores recessivos. A América atravessa um verdadeiro dilema. Qualquer mexida num sentido ou noutro terá uma face da moeda negativa.

P: Qual é o perfil do consumo mundial de energia?
R: Segundo a AIE, o petróleo representa 36% da energia consumida, seguido do carvão com 25%, o gás natural com 21%, o nuclear com 6%, a biomassa com 4% e a hidroeléctrica com 3%. O resto está ainda abaixo de 1%.

P:E em Portugal?
R: Segundo a Direcção Geral de Energia e Geologia, o petróleo representa 55% do consumo de energia primária (uma dependência maior do que a “média” mundial), o gás natural 14%, o carvão 13% (melhor do que a média mundial), a electricidade 7% e o resto 12% (inclui biogás, biodiesel, resíduos vegetais e resíduos sólidos urbanos).

P: Que sectores económicos consomem mais energia em Portugal?
R: Segundo dados da AIE, os transportes vêm em primeiro lugar com cerca de 34%, a que se segue a indústria transformadora com 26,5%, o sector residencial com 15% e os serviços com 12%. Especificamente, em relação ao petróleo, o sector dos transportes é o mais dependente (consome 60% do total) e será o que mais sofrerá com o choque petrolífero.

P: O que poderemos, então, fazer?
R: Apostar mais na eficiência energética, por muitos analistas considerada o “nono passageiro” (tendo em conta que os outros oito são: petróleo, gás, carvão, nuclear, biomassa, solar, eólica e outras renováveis) desta corrida contra o tempo.

Observação: Questionário e respostas com o apoio de Luis de Sousa e Pedro de Almeida, da ASPO Portugal.


(Retirado daqui.)

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Aumento dos combustíveis (III)

É claramente o tema do momento, aqui para o je... Mais uma contribuição, com a qual concordo a 100%. Se o nosso corpo empresarial tem falta de visão e não se protege de eventuais riscos associados ao aumento dos custos de matérias-primas, porque carga de água é terão de ser os contribuintes (isto é, eu e os restantes Portugueses) a pagar isso?

Estou a assistir ao debate dos candidatos à liderança do PSD e esta discussão sobre o apoio que se deve dar aos sectores mais dependentes dos combustíveis fez-me ter vontade de escrever sobre algo que ando há semanas para escrever.


Como é que é possível que empresas de grande dimensão não façam cobertura de risco? Se eu tenho uma empresa de camionagem com um volume de negócios de milhões de euros e em que a esmagadora parte dos meus custos vem de combustível, não é lógico que se faça a cobertura do risco de variação dos preços de combustíveis? Aquela pequenina percentagem que teriam que gastar no mercado de futuros não lhes garantia uma vida tranquila, sem estes riscos de falência que tantos dizem que correm? E as companhias de aviação? E as grandes companhias de pesca?

A verdade é que o que costuma acontecer é o seguinte. O Crude está a 30 e quando atinge os 60, alguém dentro da empresa se lembra de dizer: "Isto está complicado, devíamos ter feito uma cobertura no mercado de futuros. Só que agora já subiu tanto vamos fazer a cobertura de risco na pior altura. Esqueçam". E depois o crude duplica de valor e a empresa diz que corre o risco de fechar portas...

O mesmo que digo para o crude, digo para as empresas exportadoras em relação à valorização brutal do euro face ao dólar. Quantas exportadoras estão em grandes dificuldades devido a esta valorização do euro. E cobertura cambial, é só para os livros?

Não deixa de ser curioso ver o mundo inteiro a culpar o mercado de futuros (e os seus especuladores) pela subida meteórica do preço do crude e depois esquecerem-se que uma das razões pelas quais foi criado o mercado de futuro foi mesmo para fazer esta cobertura cambial.

Estranho mundo este.

Ulisses Pereira, in Caldeirão de Bolsa

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Aumento dos combustíveis (II)

No seguimento deste meu post, deixo aqui mais algumas reflexões:

As notícias a que se tem assistido na comunicação social nos últimos tempos, relativamente a este tema tem até levado a uma série de soundbytes disparatados dos nossos populistas de serviço (governantes e candidatos a governantes, tal como se pode ver aqui e aqui), que se recusam a ver a realidade de que os preços elevados dos combustíveis não se resumem a Portugal (pois derivam em grande parte da escalada dos preços do crude a nível global, independentemente das ineficiências e da cartelização do nosso pequeno mercado nacional) e vieram para ficar.

Nada de novo, no entanto. Do outro lado do Atlântico a preocupação é semelhante, tal como se pode ver neste excelente artigo do Expresso. O facto de os E.U.A. terem gasolina mais barata é claramente menorizado pela sua reduzida eficiência energética (com um SUV a gastar 15l/100 km ou mais não há gasolina barata que resista). Pudera, se nunca se precisaram de preocupar com a eficiência energética até aos dias de hoje! Mas a realidade acaba por bater à porta e pode ser bastante cruel... A solução cá e lá? Populismo e procura de explicações emocionais ao invés de racionais, como bem aponta Thomas Sowell:

Some people think that the reason the public misunderstands so many issues is that these issues are too "complex" for most voters. But is that really so?

With all the commotion in the media and in politics about the high price of gasoline, is there really some terribly complex explanation?

Is there anything complex about the fact that with two countries-- India and China-- having rapid economic growth, and with combined populations 8 times that of the United States, they are creating an increased demand for the world's oil supply?

The problem is not that supply and demand is such a complex explanation. The problem is that supply and demand is not an emotionally satisfying explanation. For that, you need melodrama, heroes and villains.


(Fonte: http://www.thinkfn.com/forum/files/trever_104.gif)

A nossa classe política, com o afã de agradar às massas e de obter votos, olha para a subida dos preços dos combustíveis como uma ameaça. Nada mais errado. Esta é a oportunidade que faltava não apenas para se olhar para a poupança de energia como algo absolutamente fundamental nas sociedades modernas, mas também para se investigar e desenvolver tecnologias alternativas aos combustíveis fósseis, que reduzam a nossa dependência do petróleo (estou a pensar em veículos eléctricos ou na microgeração, por exemplo). E claro, interpretar a alta de preços como um estímulo fundamental para cada um de nós reduzir o seu consumo energético e ajudar o ambiente.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Aumento dos combustíveis

Tenho recebido nos últimos dias uma enxurrada de e-mails sobre o não abastecer nos dias 1, 2 e 3 de Junho na Galp, na Repsol e na BP.

Para além de encarecidamente vos pedir para não me encher a caixa de correio com este spam, venho também convidar-vos para fazerem umas contas comigo:


Preço do crude - evolução

WTI spot
(barril de crude em NY) no ultimo dia útil de 2006: $60,85
WTI spot no ultimo dia útil de 2007: $95,95
WTI spot em 16/05/2008: $126,50

(Fonte: http://tonto.eia.doe.gov/dnav/pet/hist/rwtcd.htm)

Câmbio EUR/USD no ultimo dia útil de 2006: 1,317
EUR/USD no ultimo dia útil de 2007: 1,4721
EUR/USD em 20/05/2008: 1,565

Logo:
WTI spot no ultimo dia útil de 2006: 46,20€
WTI spot no ultimo dia útil de 2007: 65,18 €
WTI spot em 16/05/2008: 80,83 €

Conclusão 1:
Em 2007 o crude subiu em euros 41%. Este ano já subiu mais 24%, como se pode ver no gráfico abaixo.




Preço dos combustíveis - evolução

Relativamente aos combustíveis, os preços de venda ao público (euros) em final de 2006, final de 2007 e em 16 de Maio de 2008 são os seguintes:

Gasolina S/chumbo 95
29/12/2006 - 1,224
28/12/2007 - 1,358
16/05/2008 - 1,461

Gasóleo
29/12/2006 - 1,006
28/12/2007 - 1,179
16/05/2008 - 1,358

(Fonte: Direcção Geral da Energia e Geologia)

Conclusão 2:
Em 2007 a gasolina 95 subiu 11%. Este ano já subiu mais 8%.
Em 2007 o gasóleo subiu 17%. Este ano já subiu mais 15%.


Como se pode observar, o preço de venda ao público dos combustíveis em Portugal, embora tenha vindo a aumentar não tem acompanhado, nem de perto nem de longe, a escalada do preço do crude. Esta diferença tem sido feita à custa da diminuição das margens de refinação, neste caso da Galp, pois o peso dos impostos, embora tenha vindo a aumentar em termos absolutos, não o tem feito em termos relativos (no caso do gasóleo passou de 47% em Dezembro de 2006 para 45% em Maio de 2008, e no caso da gasolina passou de 62% em Dezembro de 2006 para 58% em Maio de 2008).


Portanto meus senhores, nós não estamos a ser roubados! O que se passa é que temos vindo a assistir a um aumento significativo dos preços do crude nos últimos anos, que certamente veio para ficar, pois este é um recurso finito e cada vez mais escasso.

Em termos do preço dos combustíveis antes de impostos, Portugal está dentro da média da UE (no caso da gasolina, encontra-se um pouco acima). Contudo, o grande drama é que Portugal é vizinho da Espanha que vende ao público combustíveis a preços muito mais baratos (devido ao IVA a 16% e ao ISP mais baixo) o que faz aumentar dramaticamente esse fosso aos olhos dos portugueses. Para mim faz todo o sentido manter esta fiscalidade, pois só assim se garante que quem usa o transporte individual como meio de transporte predominante pague o custo efectivo das externalidades decorrentes do impacte ambiental da poluição com origem nos escapes dos automóveis.

A solução passa mesmo pela mudança de hábitos, recorrendo menos ao uso do automóvel particular nas deslocações em que tal não seja absolutamente necessário. Da minha parte, desde o início do ano que passei a vir de transportes para o trabalho. Demora mais tempo, mas é mesmo muito mais barato e bastante menos poluente.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Serviço Público de Investigação

"Merck Wrote Drug Studies for Doctors

By STEPHANIE SAUL

The drug maker Merck drafted dozens of research studies for a best-selling drug, then lined up prestigious doctors to put their names on the reports before publication, according to an article to be published Wednesday in a leading medical journal.

The article, based on documents unearthed in lawsuits over the pain drug Vioxx, provides a rare, detailed look in the industry practice of ghostwriting medical research studies that are then published in academic journals.

The article cited one draft of a Vioxx research study that was still in want of a big-name researcher, identifying the lead writer only as “External author?”

Vioxx was a best-selling drug before Merck took it off the market in 2004 over evidence linking it to heart attacks. Last fall, the company agreed to a $4.85 billion settlement to resolve tens of thousands of lawsuits filed by former Vioxx patients or their families.

(...) “It almost calls into question all legitimate research that’s been conducted by the pharmaceutical industry with the academic physician,” said Dr. Ross, whose article, written with colleagues, was published Wednesday in JAMA, The Journal of the American Medical Association. and posted Tuesday on the journal’s Web site.

Merck acknowledged on Tuesday that it sometimes hired outside medical writers to draft research reports before handing them over to the doctors whose names eventually appear on the publication. But the company disputed the article’s conclusion that the authors do little of the actual research or analysis.

(...) In an editorial, JAMA said the analysis showed that Merck had apparently manipulated dozens of publications to promote Vioxx."

Notícia completa aqui.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Vale a pena ler


Perdido o pudor fica o poder

"A maior parte do sector privado lusitano só quer e, se calhar, só pode subsistir associado à tutela estatal e não tem pejo em subordinar-se aos operadores puramente políticos, abandonando a evolução de culturas de empresas inovadoras desenvolvidas por gestores profissionais que pusessem, finalmente, o mercado a funcionar em Portugal. No curto prazo, este hesitante sector privado nascido dos cravos de Abril parece ver mais ganhos incorporando governos em si próprio do que emancipando-se de tutelas constrangedoras. Claro que daqui para a frente não haverá concurso que a Mota-Engil ganhe (ou perca) onde não se detecte a impressão digital de Jorge Coelho e não se fique com a sensação de que o mercado não está a funcionar."

Mário Crespo, hoje no Jornal de Notícias

sexta-feira, 28 de março de 2008

Excelentes notícias para os jovens que pretendem arrendar casa

Finalmente foram publicados os novos valores para as rendas máximas admitidas no programa Porta 65 Jovem. O autismo inicial dos responsáveis por este programa foi corrigido a tempo dos milhares de candidatos que ficaram de fora em Dezembro poderem inscrever-se nas 2ª e 3ª fases do programa, que engloba agora rendas mais consentâneas com a realidade local. Excelentes notícias também para mim, que estou à procura de casa para arrendar!


"O Governo publicou hoje em Diário da República as novas rendas máximas admitidas para aceder ao programa de arrendamento jovem, o Porta 65. Em Lisboa, o tecto limite de um T1 passa a ser de 500 euros e no Porto de 400 euros."

Fonte: Jornal de Negócios


Esta inversão de política não seria provavelmente possível sem a pressão do Movimento Porta 65 Fechada, que demonstrou o poder que grupos de cidadãos organizados podem ter na procura de objectivos comuns, e já agora, justos e louváveis. Os meus parabéns para eles.

sexta-feira, 14 de março de 2008

terça-feira, 11 de março de 2008

The Triumph of OPEC

"Look no further than last week's OPEC meeting in Vienna. Oil ministers declined to increase production despite a fairly obvious case for doing so. Not only were oil prices fluttering just above $100 a barrel, but the United States is either in or near a reces­sion and much of the rest of the world faces a noticeable econom­ic slowdown. The OPEC ministers were unmoved. Indeed, they indicated that they might actually reduce production if weak de­mand—presumably reflecting weak economies—threatens to de­press prices. Not good.

What's wrong is that a fall of oil prices is one of the mecha­nisms by which a recession or economic slowdown corrects itself. Lower prices for gasoline, home heating oil and diesel fuel improve consumer purchasing power. They muffle inflation and in­crease confidence. In this sense, they're an important "automatic stabilizer" for a faltering economy. If the automatic stabilizer is disarmed—or, worse, transformed into an automatic "destabiliz­er"—then the slowdown or recession may get worse."

Robert J. Samuelson, In Newsweek

segunda-feira, 3 de março de 2008

PPR do Estado

"Tendo em conta a gestão do Estado demonstrada no passado com o Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social (FEFSS), gerido pela mesma equipa responsável pelo novo Fundo de Certificado de Reforma, a gestão pública só perde para três fundos plano poupança-reforma (PPR) privados: 90% dos PPR privados têm retornos historicamente mais baixos."


"Os novos Certificados de Reforma, que podem ser subscritos a partir de hoje, vão permitir receber o capital acumulado sob a forma de uma renda mensal vitalícia. O valor deste complemento será actualizado todos os anos, de forma a compensar a perda de poder de compra devido à subida dos preços. O factor utilizado nesta revisão será o objectivo do Banco Central Europeu para a taxa de inflação na Zona Euro, que actualmente é de 2%."

(Fonte: Jornal de Negócios)

"Segundo confirmou ao DN o presidente do Instituto de Gestão de Fundos da Segurança Social, Manuel Baganha, os planos poupança-reforma (PPR) públicos terão um custo na ordem de 0,1% dos volumes sob gestão. Uma despesa que compara com os cerca de 1% cobrados, em média, pelos PPR privados com um perfil de risco semelhante."

(Fonte: Diário de Notícias)


O que salta à vista é que, no meio de tanta argumentação a favor da livre iniciativa de mercado, é preciso vir o Estado e o seu PPR público para pôr em cheque os miseráveis PPR apresentados pela maioria dos bancos aos seus clientes, com comissões de gestão, transferência e resgate completamente absurdas e com rentabilidades muitas vezes inferiores à inflacção e também inferiores aos 5,8% conseguidos nos últimos anos pelo Fundo gerido pelo Estado.

Não sendo eu nada favorável aos PPR (do Estado ou de outra entidade qualquer) visto terem demasiadas condicionantes para a rentabilidade que apresentam (no rácio rentabilidade/risco/comissões, um Fundo de ciclo de vida com horizonte temporal longo é bem melhor), tenho de salientar que teve de ser a intervenção do Estado a dinamizar as alterações na concorrência, que espero se traduzam em melhores produtos apresentados pelos bancos aos seus clientes.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Há mesmo quem não aprenda...

Ou a história do "Homem Novo" na Venezuela

O Presidente Hugo Chávez estabeleceu no ano passado preços governamentares máximos para diversos bens alimentares, ameaçando as lojas com a nacionalização em caso de incumprimento desres preços. Uma vez que as margens de lucro dos lojistas diminuiram substancialmente com esta "iluminada" medida, deixou de haver um incentivo económico para a realização desta actividade, e consequentemente muitas das lojas e supermercados acabaram por fechar as portas. Logo, os produtos alimentares começaram a escassear nas lojas e surgiu um mercado negro que fez disparar os preços destes bens. Para resolver este problema, nada como uma ideia genial: trocar petróleo por leite e outros alimentos, que parece que não correu muito bem quando aplicado ao Iraque.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Arrogância

"A Galp hoje tem de obedecer às nossas instruções em Cabo Verde. Não há batalha nenhuma. Nós somos os patrões, vamos ditar as regras do jogo. Ponto final"

Manuel Vicente, presidente do conselho de administração da Sonangol em 26.02.2008


"Não acredito que qualquer empresário de bom senso ouse considerar que a entrada da Sonangol seja má para a sua empresa"

Aguinaldo Jaime, ministro Angolano em 11.02.2008


E a isto as autoridades portuguesas assistem... em silêncio.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Crise, qual crise?

Portugueses gastaram mais de 1,2 mil milhões em electrónica

Os LCDs foram os produtos que geraram maior facturação (...) Outros produtos muito vendidos em 2007 foram os auscultadores, os DVDs, leitores de mp3 e os mp4.

Via Agência Financeira

Eis como um mix de: publicidade, globalização e a nossa vaidade própria nos faz esquecer a "crise" que se vive, tornando-nos um mercado altamente apetecível para os fabricantes de Hong-Kong e Singapura.

A nota pessoal, integro a lista dos que compraram auscultadores em 2007...

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Há aqui qualquer coisa que me escapa

Às 10:46, no Jornal de Negócios:

"A BP, segunda maior petrolífera da Europa, anunciou que os lucros referentes ao quarto trimestre de 2007 cresceram 53% devido à subida dos preços do petróleo."


Às 11:46, no mesmo Jornal de Negócios:

"O grupo petrolífero britânico BP prevê reduzir cinco mil postos de trabalho devido aos maus resultados de 2007. No ano passado, a BP registou um lucro de 17,2 mil milhões de dólares, o que representa uma queda de 22% face a 2006."


Portanto, deixa lá ver se percebi:

1- O barril de petróleo aumenta o custo, logo os lucros da empresa aumentam. Consequentemente,
os gestores aumentam os seus bónus e remunerações acompanhando o nível de crescimento dos lucros (eventualmente um pouco mais para premiar a sua competência).

2 - O valor do barril de petróleo diminui, logo os lucros da empresa, apesar de serem na casa dos milhares de milhões de dólares, diminuem face aos do ano anterior. A gestão certamente terá sido menos eficiente e menos produtiva. O que fazem os administradores? Reduzem os seus prémios e remunerações? Não, despedem trabalhadores...

Acredito no capitalismo e nos benefícios de um mercado aberto. Mas que raio de sistema capitalista é este? Quanto tempo acreditam que as pessoas irão tolerar estas notícias sem nada fazer?

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Uma boa notícia

O Governo aprovou esta quinta-feira que um Decreto-Lei que vem reforçar os direitos dos consumidores, estabelecendo uma proibição geral única das práticas comerciais desleais que distorcem o comportamento económico.

Via Agência Financeira

Uma boa notícia para o consumidor que se sente enganado - é bom ver que o governo está atento a isto.

Actualmente é prática comum campanhas publicitárias agressivas que, mesmo não podendo ser legalmente consideradas "enganosas", são muitas vezes de ética condenável, pois indiciam claramente em erro o consumidor final.

Resta saber como é que as empresas no geral (publicitárias em particular) irão reagir a isto, pois é sabido que geralmente arranjam forma de dar a volta ao texto.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Os números não mentem

A taxa de desemprego na Zona Euro ficou estabilizada nos 7,2% em Dezembro face ao mês anterior, descendo uma décima no conjunto da UE para 6,8%, enquanto Portugal ostenta o terceiro valor mais elevado dos Vinte e sete, revelam dados do Eurostat esta quinta-feira.

Via Dinheiro Digital

Para além da precariedade que muitos dos (nós) jovens licenciados encontram no Portugal actual - e isto sem querer entrar na demagogia politizada que a nossa oposição tanto gosta e que levará a que muito provavelmente o PS obtenha nova maioria absoluta nas próximas eleições; são números como estes que raramente são falados pelo nosso PM ou que, quando tal acontece, aparecem mascarados por detrás de todo um conjunto de estatísticas que mostram a viabilidade das "proezas alcançadas" neste últimos anos.

A verdade é que não preciso de ser muito inteligente para perceber quando me estão a mentir, mas o que me preocupa profundamente é não conseguir visualizar para onde estamos a ir - não consigo perceber como é que a economia cresce, quando a taxa de desemprego aumenta, o empreendedorismo jovem diminui e há cada vez mais jovens a deixar Portugal por promessas de estabilidade e realização profissional que encontram lá fora?