quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Os números não mentem

A taxa de desemprego na Zona Euro ficou estabilizada nos 7,2% em Dezembro face ao mês anterior, descendo uma décima no conjunto da UE para 6,8%, enquanto Portugal ostenta o terceiro valor mais elevado dos Vinte e sete, revelam dados do Eurostat esta quinta-feira.

Via Dinheiro Digital

Para além da precariedade que muitos dos (nós) jovens licenciados encontram no Portugal actual - e isto sem querer entrar na demagogia politizada que a nossa oposição tanto gosta e que levará a que muito provavelmente o PS obtenha nova maioria absoluta nas próximas eleições; são números como estes que raramente são falados pelo nosso PM ou que, quando tal acontece, aparecem mascarados por detrás de todo um conjunto de estatísticas que mostram a viabilidade das "proezas alcançadas" neste últimos anos.

A verdade é que não preciso de ser muito inteligente para perceber quando me estão a mentir, mas o que me preocupa profundamente é não conseguir visualizar para onde estamos a ir - não consigo perceber como é que a economia cresce, quando a taxa de desemprego aumenta, o empreendedorismo jovem diminui e há cada vez mais jovens a deixar Portugal por promessas de estabilidade e realização profissional que encontram lá fora?

Os bons exemplos que vêm de cima

Foi apresentado, no dia 30 de Janeiro, o Relatório da Auditoria Energética ao Palácio de Belém, solicitado ao INETI, EDP e GALP pelo Presidente da República. Esta Auditoria caracterizou, quanto ao desempenho energético, os diversos edifícios do Palácio de Belém e identificou medidas de eficiência energética que serão integralmente aplicadas, no Palácio de Belém, durante o corrente ano de 2008. Com estas medidas, será possível reduzir a factura energética em 40%, face a 2007, e reduzir as emissões de gases com efeito de estufa 30%, face a 2007.

(in Newsletter da Presidência da República Portuguesa)

Afinal não era brincadeira

Quando escrevi este post, foi na convicção que tal disparate não fosse levado a sério. Claramente subestimei a criatividade de quem propõe (e decide) estas coisas, a acreditar nesta notícia de hoje do Semanário Sol.

"José Manuel Durão Barroso, antigo primeiro-ministro português e actual presidente da Comissão Europeia, deverá estar entre os candidatos ao Nobel da Paz de 2008, anuncia hoje a Agência France Presse (AFP), na data limite de apresentação de candidatos."

São capazes de me surpreender ainda mais se atribuírem o Nobel a Durão Barroso.

Alguém me explica o que é que o actual presidente da Comissão Europeia contribuiu para merecer tal distinção? E já agora, o que pensam disto aqueles que criticaram tão acirradamente a atribuição do prémio Nobel a Al Gore, acusando-a de ser meramente política?

Vi ontem e gostei (IV)


A história do reencontro de três irmãos norte-americanos numa viagem espiritual pela Índia. É de perguntar porque é que Hollywood não se lembra de fazer mais coisas assim, de uma simplicidade cativante. Não sei se lhe chamaria uma comédia, embora o humor esteja presente e seja de qualidade superior.

Bill Murray, como não podia deixar de ser, marca presença.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Como apagar um fogo com gasolina...

Achei que vale a pena colocar sob a forma de post autónomo a minha resposta a uma questão do César David Sousa:

O FED está aplicar a receita de 2000, quanto estoirou a bolha das dot.com, reduzindo as taxas de juro para níveis baixíssimos durante demasiado tempo. O resultado foi um novo motor para estimular a economia (consumo), via acesso fácil a crédito barato, e uma nova bolha, desta vez na habitação. Os bancos acabaram a conceder crédito a quem efectivamente não podia pagar (os chamados NINJAS = no income no job no assets) que davam como colateral apenas o valor das habitações (crédito subprime). A coisa correu bem enquanto o valor das casas foi aumentando anualmente a uma taxa absurdamente alta e especulativa, incentivando a titularização destes créditos. O problema surgiu quando o FED recomeçou a subir gradualmente as taxas de juro, o que aumentou de forma exponencial os níveis de crédito mal parado, aumentando o número de despejos e diminuindo o valor das casas (com mais casas disponíveis no mercado, o seu valor especulativo diminuiu abruptamente). Este bolha, bem como as suas ramificações cujos impactes se estão a fazer sentir na restante economia mundial, foi identificada em tempo útil, como se pode ver aqui, aqui e aqui.

Baixar as taxas de juro novamente será bom a curto prazo, mas é como apagar um incêndio com gasolina. Os níveis de endividamento vão continuar a crescer, e a bolha irá rebentar lá mais para a frente, só que com maior impacte. Por outro lado, a baixa das taxas de juro (bom como o pacote fiscal do presidente Bush) significam implicitamente que o Governo Americano e o FED optaram por fazer com que TODOS os americanos paguem a crise, via um imposto escondido chamado inflação.

Por outro lado, está-se também a penalizar efectivamente quem adquiriu casa de acordo com as suas possibilidades e não se endividou em excesso, e a premiar quem adquiriu habitações que não tinha condições de pagar (bem como as instituições financeiras que estimularam este comportamento, algumas das quais já teriam falido em situação normal). É um facto moralmente condenável, e também transmite outro sinal aos agentes económicos: os bancos poderão fazer os disparates que quiserem (criando instrumentos derivados cada vez mais complexos e opacos a regulação), pois terão a "mão amiga" do FED para os salvar de situações de falência potencial. Mais valia alguns bancos falirem e os restantes aprenderem a lição. Assim, adia-se o problema para uma próxima crise que irá ser de maior intensidade.

A boa notícia (?) é que provavelmente 1929 não se irá repetir, devido a dois factores:

1) O FED e restantes Bancos Centrais (como o de Inglaterra que injectou milhões de £ no Northern Rock, mesmo sabendo que não existem garantias de crédito no banco) não deixarão falir milhares de bancos como em 1929-32, optando-se por nacionalizá-los e transferir a dívida para os restantes contribuintes;

2) Actualmente, o dinheiro em circulação já não está restringido ao padrão ouro, o que faz com que seja possível aos Bancos Centrais imprimir dinheiro de uma forma praticamente infinita, o que fará com que o impacte seja sentido, mas de forma talvez mais atenuada.

E dizia o homem que não ia haver remodelação!

Ana Jorge vai ser a nova ministra da Saúde e José António Pinto Ribeiro vai assumir a pasta da Cultura, substituindo respectivamente António Correia de Campos e Isabel Pires de Lima, que solicitaram a exoneração ao primeiro-ministro.

Sai um ministro da saúde que tecnicamente pode ser muito competente, mas a quem faltam os conceitos mínimos de acção política (só faltou afirmar "como seria melhor este país sem os Portugueses para atrapalhar, esses ingratos que não compreendem que as minhas políticas iluminadas são o melhor para eles..."), e uma ministra da cultura que pouco se viu, e nas suas raras aparições acabou sempre por chamar a atenção pela negativa. Resta saber se a mudança de caras vai ser também mudança de políticas, e se (especialmente no caso da saúde) haverá maior habilidade política para a implementar reformas dolorosas, mas necessárias.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Maior fraude de sempre num Banco

Jérôme Kerviel vai ficar na história, mas não pelos melhores motivos:

"A Société Générale descobriu este fim-de-semana que um seu empregado andou a fazer apostas secretas à revelia do banco. A fraude do "trader" que trabalha na unidade em Paris do SG, vai custar 4,9 mil milhões de euros ao banco francês, que já anunciou um aumento de capital para regularizar a situação."

(Fonte: Jornal de Negócios)


Este "trader" assumiu posições em futuros de índices de acções europeias, violando os limites impostos pelo banco francês.
O problema foi descoberto no fim-de semana, obrigando o banco a fechar estas posições no mercado no início desta semana, provocando uma força vendedora tal que levou os mercados europeus a cair mais de 6%!

Começa a haver explicação para a brutal queda de 14% no índice Eurostoxx50 em 3 dias. Ironicamente,
estas quedas terão conduzido em última análise ao maior corte de taxas de emergência da história por parte da Reserva Federal Americana.

Há coisas fantásticas, não há?

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Tudo calúnias

O presidente norte-americano, George W. Bush, e outros altos funcionários do governo norte-americano mentiram 935 vezes no período dos dois anos anteriores à guerra no Iraque, revela um estudo divulgado nesta quarta-feira.

Via Diário Digital

Em destaque


É uma das revistas que compro regularmente. A periodicidade é mensal, e como tal é pouco útil a especuladores bolsistas e investidores de curto prazo. No entanto, é bastante interessante como forma de "educar" os investimentos do comum dos portugueses. Além das recomendações de investimento (sempre numa óptica de médio/longo prazo), tem normalmente outros artigos interessantes: dados fundamentais e ambiente macroeconómico e investimentos alternativos.

Recomendo vivamente a leitura desta revista, bem como do correspondente blog, que foi inaugurado ontem.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Aquecimento global