quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Portagens urbanas em discussão no Brasil

No Brasil, sobretudo em urbes de grande dimensão como São Paulo, começa a discutir-se seriamente este tema. Por cá, o assunto é considerado um atentado às liberdades individuais dos cidadãos, como se pode ver em boa parte dos comentários à notícia... Enfim, continuamos cantando e rindo alegremente (mas sempre atrás da carruagem)...

Como é uma medida de alto impacto, especialmente na classe média, o pedágio* urbano foi demonizado na campanha eleitoral paulistana. Chega-se a dizer que esse recurso, imagine, ataca os pobres. Perde-se uma chance, por falta de grandeza dos candidatos, de colocar com transparência uma medida que, mais cedo ou tarde, a cidade terá de tomar --e quanto mais tarde, pior. Até porque o pedágio está cada vez mais caro.

É fácil entender o pedágio quando se mede quanto um motorista gasta a mais por causa dos congestionamentos. Ou quanto se paga nos escorchantes estacionamentos. Ou até no pedágio diário aos flanelinhas.

Paga-se também pedágio nas horas paradas no trânsito, o que significa menor produtividade que se traduz em menos dinheiro no bolso.

Olhando o número de caminhões e automóveis licenciados mensalmente na cidade, constatamos rapidamente que a situação só tende a piorar; são 900 caminhões novos todos os meses. Uma série de cidades tem optado pelo pedágio urbano (e com boa aceitação) porque, ao mesmo tempo em que se tira o carro da rua, aumenta-se a arrecadação para aprimorar os transportes públicos --isso sim beneficia o pobre.

Estamos perdendo uma chance de lançar uma proposta para a sociedade e, pior correndo o risco de lançar a medida quando já tivermos quase nenhuma alternativa. Enquanto isso, os desinformados vão pagando cada vez mais pelo pedágio.


Para não ser injusto, tenho de reconhecer que pela menos um candidato (Soninha**) teve a ousadia de propor a discussão do pedágio urbano. Apenas esse gesto já valeu sua participação na eleição.



Gilberto Dimenstein, membro do Conselho Editorial da Folha de São Paulo

*Portagem
**Sónia Francine

1 comentário:

Abraham disse...

o Brasil não serve seguramente para nos ensinar 'pedágios'. Em muitos estados ex; Porto Alegre simples carreiros virados alcatrão têm portagens de cinco em cinco km... A causa nada tem a haver com preocupações ambientais outras mais altas clamam.
Antes de portagens existe muitas coisas a fazer tantas que se forem feitas nem as portagens são necessarias. Aqui deixo um bom exemplo: a cidade de Boston (USA)