terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Ninguém fica bem na fotografia

O Parlamento, que por teimosia (que não se cingiu apenas aos deputados do PS) e mero tacitismo político-partidário forçou um vergonhoso braço de ferro com o Presidente da República, forçando a aprovação de um Estatuto dos Açores mal feito e que pelos vistos é inconstitucional nalguns dos seus artigos.

Mas também o Presidente Cavaco Silva que, mesmo tendo razão e apesar das suas duríssimas declarações se vê agora obrigado a promulgar o diploma, ao invés de atempadamente ter enviado o documento para o Tribunal Constitucional. Até porque a dissolução da Assembleia, no momento actual, era mesmo uma não-opção.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

"Q & no A"







Foi para isto que se criou há 60 anos o actual estado de Israel? Terá valido a pena? Confesso que tenho muita dificuldade em responder a esta questão. Apenas sei que há muito que deixei de tomar partidos nesta barbárie que todos os dias nos entra pelas casas dentro.

Reflexões pós-Natalícias

As mesmas campanhas promocionais nas lojas e nos hipers (com o habitual catálogo de brinquedos do Continente, em Novembro). Os mesmos filmes de sempre (nem o Musica no Coração faltou...). As mesmas luzes de sempre (desta vez com um mau gosto que deverá fazer a CML reflectir nas parcerias público-privadas deste tipo: nós pagamos, logo nós fazemos o que nos apetece). As filas enormes à porta da loja da Nespresso (eu sei bem do que falo, fui um dos que deixou o café acabar e teve de esperar por dia 27 para repor o stock). E continuamos todos em fluxo depois do Natal, pois espreita logo aí o Revelhão (o fim do ano é por excelência a altura do ano que me deixa mais deprimido) . Só vi uma pequena diferença: as pessoas este ano andavam por Lisboa bem mais carrancudas. Neste Natal, a crise já se sentiu. Pelo menos no interior de cada um de nós.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Já que estamos numa de vídeos natalícios

Aqui fica um clássico de 1940: Fantasia - The Sorcerer's Apprentice

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

FELIZ NATAL

Em jeito de prenda de Natal, deixo aquela que é talvez a minha música preferida desta época, aqui cantada por Bing Crosby em dueto com a Ella Fitzgerald, seguida de uma curta metragem animada da Universal Studios...creio que talvez seja o filme mais antigo para a célebre história de Rudolph, the red nosed reindeer!

Votos de um Natal cheio de felicidade, paz, harmonia e muito amor =)



quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Zeitgeist

Hoje estive a ver o filme Zeitgeist. Trata-se de um documentário que pode ser visto no youtube ou no video.google que procura dar fundamentos científicos para a desmistificação de certos mitos como a religião cristã ou dar outras explicações para o que acontece no mundo actualmente. Apesar de em certos pontos ser algo parcial acho que de uma forma geral consegue transmitir a sua mensagem e recomendo vivamente.

No entanto, não focam uma questão que gostava de ver lançada, visto ser uma forte razão para desmentir o atentado de 11 Setembro em Washington. Porque é que o "avião" foi lançado contra o Pentágono e não contra a Casa Branca que fica a poucos kilometros dali?Na minha opinião é um dos factos que não fazem sentido relativamente ao que ocorreu nesse dia.

No Comments



Para ouvir ao som dos Black Keys, por exemplo

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Bush Matrix*



*Retirado daqui

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Leitura de Cabeceira (XI)


"It's an offer you can't refuse.

Who would not wish to be the man in charge of Ankh-Morpork's Royal Mint and the bank next door?

It's a job for life. But, as former conman Moist von Lipwig is learning, life is not necessarily for long.

The Chief Cashier is almost certainly a vampire. There's something nameless in the cellar (and the cellar itself is pretty nameless), and it turns out that the Royal Mint runs at a loss. A three-hundred-year-old wizard is after his girlfriend, he's about to be exposed as a fraud, but the Assassins' Guild might get him first. In fact, a lot of people want him dead.

Oh. And every day he has to take the Chairman for walkies.

Everywhere he looks he's making enemies.

What he should be doing is . . .

MAKING MONEY!"

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Publicidade gratuita



Para além do facto de serem competentes e terem preços muito competitivos, são uns tipos porreiros... É de família!

Mais informação em www.2mark.pt

The art of sleeping in seminars

  1. Always lean forward, not backward. If you lean backward, your mouth will fall open and you'll snore.
  2. Never sit back against a wall. Your head will bang against it, waking the rest of the audience. (Similar remarks apply to desks.)
  3. Never sit on a couch. People won't like you sleeping on their shoulders. Also, couches are against walls (see 2.). An important exception is when you are alone on the couch, in which case it is preferable to a chair. In that case you can avoid 2. by leaning to the side.
  4. Don't bring pencil and paper. They make too much noise dropping on the floor. You might think you can work during the seminar, but you just wake up with half-written equations with long angular lines at the end. Erasers are OK.
  5. If possible, choose a chair with padding. Plastic and metal chairs also fall noisely.
  6. Don't bother wearing sunglasses, or asking questions right after you wake up. Who do you think you're fooling?
  7. If you wake up to laughter and everybody is staring at you, probably the speaker just referred to your work, so take it as a compliment.
  8. Practice waking up to the sound of silence. That way you can wake up to the quiet just after the speaker finishes, and avoid being wakened by the irritating sound of applause. For you deep sleepers, this also avoids the problem of waking up in an empty seminar room. Don't think using watch alarms is clever: After the first 30 seconds of the alarm everybody will know anyway.
  9. Don't get too much sleep the night before a seminar. You'll fall asleep in the seminar anyway, and when you wake up you'll feel sluggish from getting too much sleep. For the same reason, don't attend too many seminars in one week.
  10. If you travel, be careful not to attend the same seminar twice. You'll sleep through the same parts anyway.
  11. Older physicists tend to sleep at exactly the same time every seminar. Try to schedule your nap to not coincide. The speaker should always have at least one listener awake at all times, especially when he finishes. Nothing is more embarrassing than to wake up in a full room with no speaker.
  12. Don't read this paper during a seminar. It will keep you awake, but the people sitting next to you will want to borrow it and you'll never see it again.
Retirado daqui.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Alto e pára o baile

Não tenho tido oportunidade nem vontade de escrever mas depois de ler o post do Pedro sobre as declarações de um ex-líder de bancada parlamentar do PSD não me consigo conter.
Acho que devíamos alargar esse direito a todos os professores, policias, militares (entre outros) deslocados.Tendo em conta este raciocínio julgo pertinente votar-se a lei da semana de 3 dias!!!No entanto ai voltava a ter-se a o mesmo problema visto ser necessário a terça e a quinta para as pessoas se deslocarem para junto dos seus entes queridos, logo devemos ter uma semana de 1 dia...Alto e pára o baile assim não pode ser...Quer dizer estamos a afastar os pobres deputados da família por 1 dia!!!Que bestas que somos!!!
Espero que esse Sr venha pedir desculpas públicas pelo que disse, e que as suas afirmações se tratem de uma paralisia cerebral temporária (ou não).
A situação que se verificou na semana passada não é única e demonstra o desrespeito que os deputados têm pelo orgão que melhor simboliza a Democracia no nosso pais. No entanto não foi a primeira nem a segunda vez que tal ocorreu, a diferença é que desta vez a situação foi exposta pelos media.
Numa conversa recente com o Pedro ele falou-me numa análise que foi feita recentemente sobre as intervenções dos deputados nos diferentes orgãos da Assembleia. Um facto que me fez rir bastante foi a única intervenção de um deputado ao longo do ano que consistiu em pedir para abrir a janela visto estar com calor...
Este gènero de atitudes é inaceitável, pelo menos na minha opinião.
Julgo que se existe tema que devia levar o Presidente da Républica a intervir seria esse. Trata-se, in extremis, do bom funcionamento da nossa democracia. Na minha opinião os deputados que foram apanhados deviam demitir-se, isto se tivessem um pingo de vergonha. Caso contrário deveriam ser os partidos a colocarem processos disciplinares aos individuos em causa, isto se querem ter o mínimo de credibilidade.
Mas este, meus amigos, é o Pais que temos e é o fruto do nosso comportamento no dia-a-dia.
VIVA O NACIONAL PORREIRISMO visto ser ele que me vai garantir umas férias de natal.

Sem comentários...

Guilherme Silva, ex-líder parlamentar do PSD, sugeriu, esta terça-feira, no Fórum TSF, que haja plenários da Assembleia da Republica apenas à terça, quarta ou quinta-feira, para evitar o problema das faltas dos deputados que saem mais cedo para o fim-de-semana.

(...)

«É preciso perceber que o Parlamento tem uma representação de deputados de todo o país» e que «a deslocação dos deputados para regressarem aos fins-de-semana às suas famílias tem uma componente humana que também é respeitável», disse o social-democrata.



Para além da absoluta falta de respeito que é afirmar uma coisa destas, nota-se nestas palavras a assunção de um raciocínio lógico que não ocorre apenas neste caso, e que efectivamente é inaceitável: o achar que os políticos, em particular os deputados eleitos, se encontram acima dos restantes cidadãos, e que por isso é necessário dar-lhes mais tempo para estar com a família que ao comum cidadão.

É caso para perguntar: e não se pode despedir um deputado por falta de vergonha? Ou pelo menos descontar cada bacorada no ordenado?

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Momento de partilha musical




Ive Mendes - "Natural High"



Freedom, is the best gift of life
So take it…

You, are more than you think you are (you are)
I don’t want to change myself
Just to make you feel good, no way,
I don’t want to change my way
Just to be good for you, no way baby

I’m on a Natural High
Come with me
I’m on a Natural High
I want to take you like this

I am more than you see, that’s right
If life is so hard, it’s beautiful too
Excuse me baby, I know exactly where you come from
You don’t know me baby

I’m on a Natural High
Don’t give me what I don’t need
I’m on a Natural High
Be free with me, take me

Trust me, take me,
Trust me, trust me
No no no no way, don’t change me baby

Feel so good, so relaxed with you
So alive, feel this rhythm too
Feel so close to you, I’m taking you right now
I want to enjoy this moment like it’s the last

I’m on a Natural High
Enjoy this moment with me
I’m on a Natural High
Feel this rhythm,
I’m on a Natural High
Let your mind be free with me
(Kiss me baby, you drive me crazy)
I’m on a Natural High
I feel high with you
I’m on a Natural High
Come with me
Feels so good, relaxed,
I’m on a Natural High
Feel this rhythm with me
I’m on a Natural High..

Outside

domingo, 7 de dezembro de 2008

António Alçada Baptista...

...morreu hoje aos 81 anos! Deste autor apenas li o "Riso de Deus" de que deixo este pequeno excerto.

É muito difícil abarcar um universo onde as nossas rotinas andam misturadas com os nossos sonhos e com a tal harmonia do mundo onde espero que esteja prevista a nossa alegria.

A Morte na Madrugada

Mário Viegas declama poema de Vinícius de Morais sobre a morte de Garcia Lorca!

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Uma certa madrugada
Eu por um caminho andava
Não sei bem se estava bêbedo
Ou se tinha a morte n’alma
Não sei também se o caminho
Me perdia ou encaminhava
Só sei que a sede queimava-me
A boca desidratada.
Era uma terra estrangeira
Que me recordava algo
Com sua argila cor de sangue
E seu ar desesperado.
Lembro que havia uma estrela
Morrendo no céu vazio
De uma outra coisa me lembro:
... Un horizonte de perros
Ladra muy lejos del río...
De repente reconheço:
Eram campos de Granada!
Estava em terras de Espanha
Em sua terra ensangüentada
Por que estranha providência
Não sei... não sabia nada...
Só sei da nuvem de pó
Caminhando sobre a estrada
E um duro passo de marcha
Que eu meu sentido avançava.
Como uma mancha de sangue
Abria-se a madrugada
Enquanto a estrela morria
Numa tremura de lágrima
Sobre as colinas vermelhas
Os galhos também choravam
Aumentando a fria angústia
Que de mim transverberava.
Era um grupo de soldados
Que pela estrada marchava
Trazendo fuzis ao ombro
E impiedade na cara
Entre eles andava um moço
De face morena e cálida
Cabelos soltos ao vento
Camisa desabotoada.
Diante de um velho muro
O tenente gritou:
Alto! E à frente conduz o moço
De fisionomia pálida.
Sem ser visto me aproximo
Daquela cena macabra
Ao tempo em que o pelotão
Se punha horizontal.
Súbito um raio de sol
Ao moço ilumina a face
E eu à boca levo as mãos
Para evitar que gritasse.
Era ele, era Federico
O poeta meu muito amado
A um muro de pedra-seca
Colado, como um fantasma.
Chamei-o: Garcia Lorca!
Mas já não ouvia nada
O horror da morte imatura
Sobre a expressão estampada...
Mas que me via, me via
Porque eu seus olhos havia
Uma luz mal-disfarçada.
Com o peito de dor rompido
Me quedei, paralisado
Enquanto os soldados miram
A cabeça delicada.
Assim vi a Federico
Entre dois canos de arma
A fitar-me estranhamente
Como querendo falar-me
Hoje sei que teve medo
Diante do inesperado
E foi maior seu martírio
Do que a tortura da carne.
Hoje sei que teve medo
Mas sei que não foi covarde
Pela curiosa maneira
Com que de longe me olhava
Como quem me diz: a morte
É sempre desagradável
Mas antes morrer ciente
Do que viver enganado.
Atiraram-lhe na cara
Os vendilhões de sua pátria
Nos seus olhos andaluzes
Em sua boca de palavras.
Muerto cayó Federico~
Sobre a terra de Granada
La tierra del inocente
No la tierra del culpable.
Nos olhos que tinha abertos
Numa infinita mirada
Em meio a flores de sangue
A expressão se conservava
Como a segredar-me:
A morte É simples, de madrugada...

Outros filmes... - II

...que gostei de ver mas sobre os quais a preguiça de um Domingo de manhã me impede de tecer comentários =P

No cinema:

Quantum of Solace

Brideshead Revisited


Burn After Reading


Em casa:

Thank You for Smoking

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Holiday

Esta semana descobri o som de Joan as Police Womam e encantei-me por esta música!

Outras tantas para ouvir aqui!

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Little did I know
you're my holiday
the place where I escape
to forget about how I don't see you enough

to displace the rage
defuse the urge
to throw it all away
and become your slave

I'll take you holiday
let's go holiday

this is not a dark thought,
not from one who needs constant reassurance
you give me the sword an the power
to slay who I like
and to be who I like

and I will be the one for you, holiday
yes I will be the one for you, holiday

where do the arrows point?
to my holiday
where do I feel the sun
in my holiday
where does my heart start to beat?
at the bridge to your eyes
at the path to your scars
at the sway of your diamond black ocean

I feel this serene
when I let myself go
and give up all control
and my worn-out desire
to be free.

Boa viagem, pá

Bem sei que já não és virgem nestas coisas, e que Angola e o ZéDu também não te são estranhos, mas vê lá se tens juízo por lá, que aqui deixas pessoal com saudades.

PS - Realmente, só o meu irmão para fazer um pseudo-jantar de despedida num mais ou menos famoso restaurante fashion-chic-oriental na Baixa (que não irei nomear, deixo a cada um adivinhar qual é). Um gajo é tratado com mesuras e salamaleques para acabar num banco a comer massa com frango picante (ou apurado, para alguns mais entendidos da coisa do que eu) numa gamela, e ainda por cima com pauzinhos. Realmente a coisa é bastante autêntica. Comer em Banguequoque não deve ser muito diferente disto...

Aquele abraço

sábado, 29 de novembro de 2008

Revivalismo...

Vi este vídeo do Chris Rock já há uns bons anos... hoje deu-me o saudosismo! Só rir: "Get a white friend"; "Don't ride with a mad woman"; "Be polite"...


Madagascar: Escape 2 Africa

Fui ver ontem a sequela do Madagáscar, e se já tinha gostado do primeiro, o segundo foi mesmo um fartar de rir do principio ao fim. Fica aqui uma pequena amostra desse grande conquistador - Moto Moto meets Gloria:

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Love is Like a Bottle of Gin

Gosto de Magnetic Fields, apesar de ter de concordar que grande parte das músicas soam todas iguais...enfim, podem não ser a banda mais virtuosa de sempre, mas ninguém escreveu 69 love songs como eles!!!

Retirada desse famoso albúm, aqui fica Love is Like a Bottle of Gin!!



It makes you blind, it does you in
It makes you think you're pretty tough
It makes you prone to crime and sin
It makes you say things off the cuff
It's very small and made of glass
and grossly over-advertised
It turns a genius to an ass
and makes a fool think he is wise
It could make you regret your birth
or turn cartwheels in your best suit
It costs a lot more than it's worth
and yet there is no substitute
They keep it on a higher shelf
the older and more pure it grows
It has no color in itself
but it can make you see rainbows
You can find it on the Bowery
or you can find it at Elaine's
It makes your words more flowery
It makes the sun shine, makes it rain
You just get out what they put in
and they never put in enough
Love is like a bottle of gin
but a bottle of gin is not like love

Bem sei que não sou crente, mas estes senhores deviam ir parar ao Inferno*




*Sem as 120 virgens, claro está

Não sei quanto a vocês, mas eu desconfio destes estudos

Portugal é um dos países europeus onde os cidadãos menos confiam nos outros, revelam os resultados do Inquérito Social Europeu, um projecto que desde 2001 estuda e compara os valores e atitudes sociais na Europa. Os portugueses são ainda dos europeus mais tristes e descontentes com a política.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Reflexos da crise nas Instituições de Ensino Superior

Ao fim de duas semanas, voltámos a ter papel para secar as mãos no WC.

Bem sei que foi um bocado aos tropeções...


Mas teremos, pela primeira vez, dois clubes Portugueses nos oitavos de final da Champions.

Quanto ao FC Porto, confesso que após a derrota em casa frente ao D. Kiev fiquei com sérias dúvidas quanto ao apuramento. Mas a resposta dos jogadores nos dois jogos seguintes, ainda por cima fora de casa, foi fenomenal, carago!

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Poema para Galileu

Ontem foi o Dia Nacional da Cultura Científica, data escolhida por se tratar do dia do nascimento de Rómulo de Carvalho, o cientista que também era poeta sob o pseudónimo de António Gedeão!

Para comemorar, alguns cientistas portugueses leram o poema deste autor entitulado "Poema para Galileo», conforme podem ver e ouvir no Público on line.

Não conhecia este texto mas gostei e por isso deixo-o aqui!

Estou olhando o teu retrato, meu velho pisano,
aquele teu retrato que toda a gente conhece,
em que a tua bela cabeça desabrocha e floresce
sobre um modesto cabeção de pano.
Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da tua velha Florença.
(Não, não, Galileo! Eu não disse Santo Ofício.
Disse Galeria dos Ofícios.)
Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da requintada Florença.

Lembras-te? A Ponte Vecchio, a Loggia, a Piazza della Signoria…
Eu sei… eu sei…
As margens doces do Arno às horas pardas da melancolia.
Ai que saudade, Galileo Galilei!

Olha. Sabes? Lá em Florença
está guardado um dedo da tua mão direita num relicário.
Palavra de honra que está!
As voltas que o mundo dá!
Se calhar até há gente que pensa
que entraste no calendário.

Eu queria agradecer-te, Galileo,
a inteligência das coisas que me deste.
Eu,
e quantos milhões de homens como eu
a quem tu esclareceste,
ia jurar- que disparate, Galileo!
- e jurava a pés juntos e apostava a cabeça
sem a menor hesitação-
que os corpos caem tanto mais depressa
quanto mais pesados são.

Pois não é evidente, Galileo?
Quem acredita que um penedo caia
com a mesma rapidez que um botão de camisa ou que um seixo da praia?
Esta era a inteligência que Deus nos deu.

Estava agora a lembrar-me, Galileo,
daquela cena em que tu estavas sentado num escabelo
e tinhas à tua frente
um friso de homens doutos, hirtos, de toga e de capelo
a olharem-te severamente.
Estavam todos a ralhar contigo,
que parecia impossível que um homem da tua idade
e da tua condição,
se tivesse tornado num perigo
para a Humanidade
e para a Civilização.
Tu, embaraçado e comprometido, em silêncio mordiscavas os lábios,
e percorrias, cheio de piedade,
os rostos impenetráveis daquela fila de sábios.

Teus olhos habituados à observação dos satélites e das estrelas,
desceram lá das suas alturas
e poisaram, como aves aturdidas- parece-me que estou a vê-las -,
nas faces grávidas daquelas reverendíssimas criaturas.
E tu foste dizendo a tudo que sim, que sim senhor, que era tudo tal qual
conforme suas eminências desejavam,
e dirias que o Sol era quadrado e a Lua pentagonal
e que os astros bailavam e entoavam
à meia-noite louvores à harmonia universal.
E juraste que nunca mais repetirias
nem a ti mesmo, na própria intimidade do teu pensamento, livre e calma,
aquelas abomináveis heresias
que ensinavas e descrevias
para eterna perdição da tua alma.

Ai Galileo!
Mal sabem os teus doutos juízes, grandes senhores deste pequeno mundo
que assim mesmo, empertigados nos seus cadeirões de braços,
andavam a correr e a rolar pelos espaços
à razão de trinta quilómetros por segundo.
Tu é que sabias, Galileo Galilei.

Por isso eram teus olhos misericordiosos,
por isso era teu coração cheio de piedade,
piedade pelos homens que não precisam de sofrer, homens ditosos
a quem Deus dispensou de buscar a verdade.
Por isso estoicamente, mansamente,
resististe a todas as torturas,
a todas as angústias, a todos os contratempos,
enquanto eles, do alto incessível das suas alturas,
foram caindo,
caindo,
caindo,
caindo,
caindo sempre,
e sempre,
ininterruptamente,
na razão directa do quadrado dos tempos.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Unusual Architecture

Nas minhas deambulações pela net, descobri um blogue chamado Unusual Architecture. Entre outras criações surpreendentes, estão lá duas situadas em terras Portuguesas:

Casa da Música


Casa de Pedra em Guimarães


Vale bem a pena a visita.

Educação

Leitura recomendada, este texto de António Barreto no Público de Domingo. Subscrevo quase todas as ideias, ainda para mais escritas por alguém com muito mais jeito do que eu para a prosa. Para quem não leu em papel, está disponível aqui.

A reunião "aka" tempo perdido

Em jeito de homenagem a todas as reuniões inúteis em que já tive de participar...um brinde a todo esse tempo perdido ;)

Os Dias passam...

E Dias Loureiro continua conselheiro de estado. Apesar das suspeitas (sendo administrador da SLN, não acredito que não tivesse conhecimento do que por lá se passava) e das estórias mal contadas, o Presidente Cavaco Silva, ao invés de convidar o seu ex-ministro a renunciar ao lugar de conselheiro de estado (alguém percebe porque carga de água é que Dias Loureiro ainda não o fez por iniciativa própria, exceptuando talvez a manutenção da imunidade à justiça?) optou por fazer um ridículo comunicado público onde se defende de uma série de "mentiras e insinuações visando pôr em causa o seu bom nome”.

Não é isto que se espera de um Presidente da República.

domingo, 23 de novembro de 2008

A Maldição das Torres do Técnico

...a pedido de muitas famílias, porque a Maria Amélia não é a única a ser perseguida por estas torres diabólicas =P

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Sismo abala a região de Lisboa e Vale do Tejo!!

A partir das 17 horas de hoje até Domingo, a Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC) irá realizar, em cooperação com outras 68 entidades (entre as quais a Agência Portuguesa do Ambiente - APA), um simulacro de sismo de âmbito regional, designado por exercício “PROCIV IV/2008”.

Este exercício abrangerá Lisboa, Setúbal e Santarém, estendendo-se ainda a Benavente, Alenquer, Samora Correia, Porto Brandão, Vila Franca de Xira, Barreiro, Almada e Sintra.

Em Lisboa foi criado um verdadeiro cenário de tragédia com a queda do viaduto de Alcântara-Mar, o risco de derrocada do Hospital de Santa Maria, um incêndio na bomba de gasolina de Alfama, estradas cortadas e evacuações em prédios de grande envergadura, como o Banco de Portugal e o Centro Comercial Colombo. Contam-se ainda inúmeras fugas de gás, quedas de pessoas ao rio, rupturas de água e consequentes inundações, deslizamentos de terras, incêndios e derrocadas.

Balanço final da tragédia, às primeiras horas da noite de Domingo: 525 mortos, 7907 feridos graves e 9972 desalojados.

Dada a envergadura deste simulacro, aconselho-vos a consultarem as condicionantes ao trânsito, publicadas no site da ANPC.

Aos interessados que queiram acompanhar de perto este exercício, podem fazê-lo através do blog criado específicamente para o efeito.

Bom fim-de-semana!

Porque hoje é sexta-feira n'O Povo é Sereno



Mais uma cortesia do David Afonso.

Verdadeiramente "todo-o-terreno"

Decorreu ontem, no restaurante do El Corte Inglés, a cerimónia de lançamento do livro de Ana Gomes - "Todo-o-terreno - quatro anos de reflexões". Tive o privilégio de estar presente e já tenho a minha cópia autografada.




Ana Gomes retoma o título da coluna de opinião que assinou, quinzenalmente, na revista “Courrier Internacional”, entre 2005 e 2007, e que constitui a principal fonte dos textos compilados neste livro. Nele inclui também artigos publicados nos matutinos “Diário de Notícias” e “Público”, nos semanários “Expresso”, e “Jornal de Leiria” e ainda nas publicações “Acção Socialista”, “Amnistia Internacional” e “Causa Nossa”.

O livro cobre quase todo o terreno, da actualidade nacional e internacional, desde Julho de 2004, data em que assumiu o mandato de Deputada ao Parlamento Europeu. As visitas ao terreno, em várias latitudes e longitudes, e os contactos directos com actores principais de diversos conflitos, negociações e problemas por esse mundo fora, permitiram-lhe escrever 88 crónicas, reunidas ao longo de 252 páginas, que estão divididas em 14 capítulos, 13 dos quais dedicados aos temas internacionais: os que mais artigos contêm são os que dizem respeito às relações Europa-África, às relações transatlânticas, ao Iraque, à proliferação nuclear, incluindo os desafios colocados pelas ambições iranianas e pelo terrorismo internacional, a Guantánamo e a Timor-Leste.

O último capítulo do livro trata de opções portuguesas, centrado em temas de política Externa e de Defesa. No entanto, são também incluídos textos sobre outros assuntos que marcaram a agenda nacional, como as energias renováveis, o referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez e os transgénicos.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Cai um elefante branco, ou triste estado de coisas?

A Livraria Byblos, a maior do país, inaugurada há um ano em Lisboa, apresentou um processo de insolvência.

Agora fiquei com pena de não chegar a ter lá ido, fiquei eu e os accionistas com certeza... Não sei como explicar isto, aparentemente Américo Areal esperava facturar 10 milhões de euros (!?) anualmente com a livraria, com um sistema de identificação único no Mundo e que custou 4 milhões de euros...

Estou triste, mas não sei porquê não deixo de ter aquele sentimento de "até já estávamos à espera.."

Internet calling

Nem sempre um bónus elevado significa melhor gestão

Surpreendente... ou talvez não, este texto de Dan Ariely publicado aqui.



"Op-Ed Contributor

What’s the Value of a Big Bonus?
By DAN ARIELY
Published: November 19, 2008

Durham, N.C.

BY withholding bonuses from their top executives, Goldman Sachs and UBS may soften negative reaction from Congress and the public if their earnings reports in December are poor, as is expected. But will they also suffer because their executives, lacking the motivation that big bonuses are thought to provide, will not do their jobs well?

Of course, there are many reasons to be disgusted with executive pay. It feels unfair that so many people make so much money managing our money, and it is often difficult to see how their talent and abilities justify their compensation. We find it particularly offensive when executives receive high bonuses after disastrous performances. But doesn’t the promise of a big bonus push people to work to the best of their ability?

To look at this question, three colleagues and I conducted an experiment. We presented 87 participants with an array of tasks that demanded attention, memory, concentration and creativity. We asked them, for instance, to fit pieces of metal puzzle into a plastic frame, to play a memory game that required them to reproduce a string of numbers and to throw tennis balls at a target. We promised them payment if they performed the tasks exceptionally well. About a third of the subjects were told they’d be given a small bonus, another third were promised a medium-level bonus, and the last third could earn a high bonus.

We did this study in India, where the cost of living is relatively low so that we could pay people amounts that were substantial to them but still within our research budget. The lowest bonus was 50 cents — equivalent to what participants could receive for a day’s work in rural India. The middle-level bonus was $5, or about two weeks’ pay, and the highest bonus was $50, five months’ pay.

What would you expect the results to be? When we posed this question to a group of business students, they said they expected performance to improve with the amount of the reward. But this was not what we found. The people offered medium bonuses performed no better, or worse, than those offered low bonuses. But what was most interesting was that the group offered the biggest bonus did worse than the other two groups across all the tasks.

We replicated these results in a study at the Massachusetts Institute of Technology, where undergraduate students were offered the chance to earn a high bonus ($600) or a lower one ($60) by performing one task that called for some cognitive skill (adding numbers) and another one that required only a mechanical skill (tapping a key as fast as possible). We found that as long as the task involved only mechanical skill, bonuses worked as would be expected: the higher the pay, the better the performance. But when we included a task that required even rudimentary cognitive skill, the outcome was the same as in the India study: the offer of a higher bonus led to poorer performance.

If our tests mimic the real world, then higher bonuses may not only cost employers more but also discourage executives from working to the best of their ability.

We later did a variation of the same experiment, at the University of Chicago, to look at a different kind of motivator: public scrutiny. We asked 39 participants to solve anagram puzzles, sometimes privately in a cubicle and sometimes in front of the others. We reasoned that their motivation to do well would be higher in public, and we wanted to see if this would affect their performance. But we found that while the subjects wanted to perform better when they worked in front of others, in fact they did worse.

So it turns out that social pressure has the same effect that money has. It motivates people, especially when the tasks at hand require only effort and no skill. But it can provide stress, too, and at some point that stress overwhelms the motivating influence.


When I recently presented these results to a group of banking executives, they assured me that their own work and that of their employees would not follow this pattern. (I pointed out that with the right research budget, and their participation, we could examine this assertion. They weren’t that interested.) But I suspect that they were too quick to discount our results. For most bankers, a multimillion-dollar compensation package could easily be counterproductive. Maybe that will be some comfort to the boards at UBS and Goldman Sachs.

Dan Ariely, a professor of behavioral economics at Duke, is the author of “Predictably Irrational: The Hidden Forces That Shape Our Decisions.”

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Magalhães, pá! O nome é Magalhães!

European debut for '$100 laptop'

The One Laptop Per Child (OLPC) organisation is planning to sell the devices via online store Amazon's European outlets from 17 November.
The machines will be sold under the Give One, Get One scheme that the OLPC organisation has already run in the US.
(...)
When it goes on sale the XO laptop is expected to cost £268 (313 euros) and should be available in 27 EU nations as well as Switzerland, Russia and Turkey.
(...)
Despite the success of the scheme, it drew criticism because the OLPC group had trouble delivering machines to those who had ordered one. In a bid to resolve these issues, it signed up with Amazon in September 2008.
The original idea for the OLPC was to create a small, powerful laptop for school children that would sell in the millions yet cost less than $100.
(...)
Many nations have expressed an interest in using the XO but few have signed up to buy them in the numbers expected by the OLPC organisation. Most recently the Caldas region of Colombia signed up to buy 65,000 XO machines.
The XO has also faced competition from Intel's Classmate laptop. In September, Venezuela ordered one million Classmate laptops for its school children.

Retirado daqui e descoberto aqui.

Blindness

Depois de tanto falarem deste filme, confesso que entrei na sala de cinema a pensar que me ia desiludir, especialmente depois de ter visto, em 2005, a adaptação a teatro do Ensaio sobre a Cegueira levada a cabo pelo grupo O Bando!!

Mas não!! O filme está muito bom, forte e metafórico como a obra de Saramago, e até eu que não engraço muito com a Julianne Moore tenho de reconhecer que a sua personagem está muito bem trabalhada.

Película obrigatória!!

Pobreza Zero? Mas quem se lembra destas campanhas?




Cortesia do João Monteiro.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Os piores de hoje

A presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, perguntou hoje se «não é bom haver seis meses sem democracia» para «pôr tudo na ordem», a propósito da reforma do sistema de justiça.

Teixeira dos Santos é considerado pelo jornal britânico Financial Times como o pior ministro das Finanças entre os 19 países da UE analisados, com base no fraco desempenho da economia nacional e o baixo perfil europeu.


(Ambas via DD)


PS - No caso deste último até nem concordo nada... comentários? opiniões?

Google monitoriza gripe nos EUA

Interessante! Nunca tinha pensado no potencial que este tipo de dados poderia ter!!

A Google, empresa proprietária do motor de busca mais popular na Internet, lançou uma ferramenta para rastrear os surtos de gripe nos EUA. O 'Google Flu Trends' utiliza os resultados das pesquisas online sobre esta doença e, segundo a empresa, pode apresentar dados e estimativas com duas semanas de antecedência em relação aos métodos tradicionais de monitorização.
Notícia integral, no Expresso.

Talons

Terceiro single do último álbum dos Bloc Party, Intimacy.



And in the dark it comes for me
Malevolent and without thought
Uprooting trees, destroying cars
Cold and relentless with arms outstretched

No boat nor brick
Nor crucifix can hold it back
I've been wicked
I've been arrogant

And when it comes it will feel like a kiss
(Silent about it)
And when it comes it will feel like a kiss
And I cannot say that I was not warned or was misled
And when it comes it will feel like a kiss

Awaken from dreams of drunken car crashes
You saddened my friends and claimed all my lovers
I tried to stay still, so it will not see
Its talons rake the side of my face
When did you become such a slut?

And when it comes it will feel like a kiss
(Silent about it)
And when it comes it will feel like a kiss
And I cannot say that I was not warned or was misled
And when it comes it will feel like a kiss

And I didn't think I'd catch fire when I held my hand to the flame
And I didn't think it would catch up as fast as I could have run
Fate came a knocking when I was looking the other way
A new disease came in the post for me today

And when it comes it will feel like a kiss
And when it comes it will feel like a kiss
And when it comes, and when it comes, and when it comes
And when it comes it will feel like a kiss

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Dilbert...again!


E se Obama fosse africano?

Muito interessante este texto de Mia Couto, originalmente publicado no jornal Savana de Maputo, a 14 de Novembro de 2008, e retirado daqui.

E se Obama fosse africano?

Por Mia Couto

Os africanos rejubilaram com a vitória de Obama. Eu fui um deles. Depois de uma noite em claro, na irrealidade da penumbra da madrugada, as lágrimas corriam-me quando ele pronunciou o discurso de vencedor. Nesse momento, eu era também um vencedor. A mesma felicidade me atravessara quando Nelson Mandela foi libertado e o novo estadista sul-africano consolidava um caminho de dignificação de África.

Na noite de 5 de Novembro, o novo presidente norte-americano não era apenas um homem que falava. Era a sufocada voz da esperança que se reerguia, liberta, dentro de nós. Meu coração tinha votado, mesmo sem permissão: habituado a pedir pouco, eu festejava uma vitória sem dimensões. Ao sair à rua, a minha cidade se havia deslocado para Chicago, negros e brancos respirando comungando de uma mesma surpresa feliz. Porque a vitória de Obama não foi a de uma raça sobre outra: sem a participação massiva dos americanos de todas as raças (incluindo a da maioria branca) os Estados Unidos da América não nos entregariam motivo para festejarmos.

Nos dias seguintes, fui colhendo as reacções eufóricas dos mais diversos recantos do nosso continente. Pessoas anónimas, cidadãos comuns querem testemunhar a sua felicidade. Ao mesmo tempo fui tomando nota, com algumas reservas, das mensagens solidárias de dirigentes africanos. Quase todos chamavam Obama de “nosso irmão”. E pensei: estarão todos esses dirigentes sendo sinceros? Será Barack Obama familiar de tanta gente politicamente tão diversa? Tenho dúvidas. Na pressa de ver preconceitos somente nos outros, não somos capazes de ver os nossos próprios racismos e xenofobias. Na pressa de condenar o Ocidente, esquecemo-nos de aceitar as lições que nos chegam desse outro lado do mundo.

Foi então que me chegou às mãos um texto de um escritor camaronês, Patrice Nganang, intitulado: “E se Obama fosse camaronês?”. As questões que o meu colega dos Camarões levantava sugeriram-me perguntas diversas, formuladas agora em redor da seguinte hipótese: e se Obama fosse africano e concorresse à presidência num país africano? São estas perguntas que gostaria de explorar neste texto.

E se Obama fosse africano e candidato a uma presidência africana?

1. Se Obama fosse africano, um seu concorrente (um qualquer George Bush das Áfricas) inventaria mudanças na Constituição para prolongar o seu mandato para além do previsto. E o nosso Obama teria que esperar mais uns anos para voltar a candidatar-se. A espera poderia ser longa, se tomarmos em conta a permanência de um mesmo presidente no poder em África. Uns 41 anos no Gabão, 39 na Líbia, 28 no Zimbabwe, 28 na Guiné Equatorial, 28 em Angola, 27 no Egipto, 26 nos Camarões. E por aí fora, perfazendo uma quinzena de presidentes que governam há mais de 20 anos consecutivos no continente. Mugabe terá 90 anos quando terminar o mandato para o qual se impôs acima do veredicto popular.

2. Se Obama fosse africano, o mais provável era que, sendo um candidato do partido da oposição, não teria espaço para fazer campanha. Far-Ihe-iam como, por exemplo, no Zimbabwe ou nos Camarões: seria agredido fisicamente, seria preso consecutivamente, ser-Ihe-ia retirado o passaporte. Os Bushs de África não toleram opositores, não toleram a democracia.

3. Se Obama fosse africano, não seria sequer elegível em grande parte dos países porque as elites no poder inventaram leis restritivas que fecham as portas da presidência a filhos de estrangeiros e a descendentes de imigrantes. O nacionalista zambiano Kenneth Kaunda está sendo questionado, no seu próprio país, como filho de malawianos. Convenientemente “descobriram” que o homem que conduziu a Zâmbia à independência e governou por mais de 25 anos era, afinal, filho de malawianos e durante todo esse tempo tinha governado ‘ilegalmente”. Preso por alegadas intenções golpistas, o nosso Kenneth Kaunda (que dá nome a uma das mais nobres avenidas de Maputo) será interdito de fazer política e assim, o regime vigente, se verá livre de um opositor.

4. Sejamos claros: Obama é negro nos Estados Unidos. Em África ele é mulato. Se Obama fosse africano, veria a sua raça atirada contra o seu próprio rosto. Não que a cor da pele fosse importante para os povos que esperam ver nos seus líderes competência e trabalho sério. Mas as elites predadoras fariam campanha contra alguém que designariam por um “não autêntico africano”. O mesmo irmão negro que hoje é saudado como novo Presidente americano seria vilipendiado em casa como sendo representante dos “outros”, dos de outra raça, de outra bandeira (ou de nenhuma bandeira?).

5. Se fosse africano, o nosso “irmão” teria que dar muita explicação aos moralistas de serviço quando pensasse em incluir no discurso de agradecimento o apoio que recebeu dos homossexuais. Pecado mortal para os advogados da chamada “pureza africana”. Para estes moralistas - tantas vezes no poder, tantas vezes com poder - a homossexualidade é um inaceitável vício mortal que é exterior a África e aos africanos.

6. Se ganhasse as eleições, Obama teria provavelmente que sentar-se à mesa de negociações e partilhar o poder com o derrotado, num processo negocial degradante que mostra que, em certos países africanos, o perdedor pode negociar aquilo que parece sagrado - a vontade do povo expressa nos votos. Nesta altura, estaria Barack Obama sentado numa mesa com um qualquer Bush em infinitas rondas negociais com mediadores africanos que nos ensinam que nos devemos contentar com as migalhas dos processos eleitorais que não correm a favor dos ditadores.

Inconclusivas conclusões

Fique claro: existem excepções neste quadro generalista. Sabemos todos de que excepções estamos falando e nós mesmos moçambicanos, fomos capazes de construir uma dessas condições à parte.

Fique igualmente claro: todos estes entraves a um Obama africano não seriam impostos pelo povo, mas pelos donos do poder, por elites que fazem da governação fonte de enriquecimento sem escrúpulos.

A verdade é que Obama não é africano. A verdade é que os africanos - as pessoas simples e os trabalhadores anónimos - festejaram com toda a alma a vitória americana de Obama. Mas não creio que os ditadores e corruptos de África tenham o direito de se fazerem convidados para esta festa.

Porque a alegria que milhões de africanos experimentaram no dia 5 de Novembro nascia de eles investirem em Obama exactamente o oposto daquilo que conheciam da sua experiência com os seus próprios dirigentes. Por muito que nos custe admitir, apenas uma minoria de estados africanos conhecem ou conheceram dirigentes preocupados com o bem público.

No mesmo dia em que Obama confirmava a condição de vencedor, os noticiários internacionais abarrotavam de notícias terríveis sobre África. No mesmo dia da vitória da maioria norte-americana, África continuava sendo derrotada por guerras, má gestão, ambição desmesurada de políticos gananciosos. Depois de terem morto a democracia, esses políticos estão matando a própria política. Resta a guerra, em alguns casos. Outros, a desistência e o cinismo.

Só há um modo verdadeiro de celebrar Obama nos países africanos: é lutar para que mais bandeiras de esperança possam nascer aqui, no nosso continente. É lutar para que Obamas africanos possam também vencer. E nós, africanos de todas as etnias e raças, vencermos com esses Obamas e celebrarmos em nossa casa aquilo que agora festejamos em casa alheia.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Memórias de infância (II)

A pedido de várias famílias, aqui vão mais algumas memórias:














Só falta mesmo a Ana dos Cabelos Ruivos... mas infelizmente não consegui encontrar uma versão que pudesse "embeber" aqui.

Memórias de infância






















Estes gauleses estão doidos

Depois deste post do Pedro Gomes, parece a moda de Fafe sofreu um "upgrade" em Lisboa: para além dos ovos, desta vez também foram lançados pepinos e tomates, qual festa da Tomatina de Buñol...


O meu querido Obélix atirava
menires aos romanos... será que os nossos alunos não se lembram desta?

Mas anda tudo doido? O aluno é o centro do sistema educativo e é nele que as políticas se têm de centrar, mas será que +e assim que vamos lá?

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Agradecimentos ao "O PROPRIO DESTRIBUIDOR DE APITOS"

Estou atolado de trabalho por isso vou ser curto. O Pedro alertou-me para uma resposta a um post meu e depois de a ler resolvi copiá-la para ela não ficar refundida. De facto, acho que merece ser partilhada com o mundo. O Sr. "O PROPRIO DESTRIBUIDOR DE APITOS" veio tirar todas as dúvidas que eu podia ter, iluminando-me com a seu poder argumentativo brilhante e uma dialéctica perfeita. Obrigado, não sei o que faria sem este seu comentário.

"Anónimo disse...
bom dia ... eu sou um lisboeta e gosto mesmo de lisboa desde o bairro ate alfama alcantara á mouraria benfica ou lumiar... mas gosto de tudo como é... com os poucos electicos ... com as noites longas com o nascer do sol á beira rio... coisa ke nao conseguimos ter na maior parte dos paises ke referenciaram... mas o bairro alto é o ke é e no ke se tornou... e o mais feio disto tudo.... é o ke esta aki em causa sao intresses imobiliarios e nao uma legitima preocupaçao com as pessoas ke la moram ... porke essses ja sabem com o que contam e ja estao habitiados... nao gostam do protesto nos arranjamos outro... meus amigos isto é tudo uma farça e tentem se abstrair da areia ke vos mandam pros olhos... deixem se conersa fiada... isto tudo é dinheiro ...e o controle ke se pode ter sobre os cidadaos sobre as suas escolhas e direitos... ass:O PROPRIO DESTRIBUIDOR DE APITOS
13 de Novembro de 2008 15:50"

PS:Verdade seja dita sinto-me mais burro só de ter lido esta resposta, apesar de me ter animado o dia:)
PPS:Não corrigi porque me parece incorrecto. Seria um grave acto de censura (ou misericórdia para o Mundo) que retiraria toda a vitalidade a este brilhante texto.

Jantar de Beneficência Projecto Ser Humano - 5 de Dezembro


Inscrições: 21 386 84 04/ 91 878 64 50 ou d.afonso@tese.org.pt

Morada: Academia Militar de Lisboa | Rua Gomes Freire | 1169-203 – Lisboa

A academia disponibiliza espaço para estacionamento automóvel.


Programa


20h00 – Cocktail de Boas Vindas

Apresentação do Projecto Ser Humano

21h00 – Jantar
22h30 – Concerto do músico Tiago Bettencourt

Exposição de obras dos artistas José Rodrigues, Henrique Silva, Jaime Silva, António Cruz e Sílvia Caroço.

Citando Kafka...

No meio das minhas deambulações matinais pelos blogs do costume, encontrei neste post, a seguinte citação de Kafka, que adorei:

Burocrata é alguém "que escreve um documento de dez mil palavras e lhe chama sumário."

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

E uma vez mais...Nina!

Não resisto a deixar aqui mais estas duas: Love me or leave e If you Knew






If you knew how I missed you
You would not stay away today
Dont you know I need you
Stay here my dear with me

I need you here my darling
Together for a day a day
Together never parting
Just you just me my love

I cant go on without you
Your love is all Im living for
I love all things about you
Your heart your soul my love

I need you here beside me
Forever and a day a day
I know whatever betides me
I love you I love you I do

So do I