segunda-feira, 26 de maio de 2008

Aumento dos combustíveis (II)

No seguimento deste meu post, deixo aqui mais algumas reflexões:

As notícias a que se tem assistido na comunicação social nos últimos tempos, relativamente a este tema tem até levado a uma série de soundbytes disparatados dos nossos populistas de serviço (governantes e candidatos a governantes, tal como se pode ver aqui e aqui), que se recusam a ver a realidade de que os preços elevados dos combustíveis não se resumem a Portugal (pois derivam em grande parte da escalada dos preços do crude a nível global, independentemente das ineficiências e da cartelização do nosso pequeno mercado nacional) e vieram para ficar.

Nada de novo, no entanto. Do outro lado do Atlântico a preocupação é semelhante, tal como se pode ver neste excelente artigo do Expresso. O facto de os E.U.A. terem gasolina mais barata é claramente menorizado pela sua reduzida eficiência energética (com um SUV a gastar 15l/100 km ou mais não há gasolina barata que resista). Pudera, se nunca se precisaram de preocupar com a eficiência energética até aos dias de hoje! Mas a realidade acaba por bater à porta e pode ser bastante cruel... A solução cá e lá? Populismo e procura de explicações emocionais ao invés de racionais, como bem aponta Thomas Sowell:

Some people think that the reason the public misunderstands so many issues is that these issues are too "complex" for most voters. But is that really so?

With all the commotion in the media and in politics about the high price of gasoline, is there really some terribly complex explanation?

Is there anything complex about the fact that with two countries-- India and China-- having rapid economic growth, and with combined populations 8 times that of the United States, they are creating an increased demand for the world's oil supply?

The problem is not that supply and demand is such a complex explanation. The problem is that supply and demand is not an emotionally satisfying explanation. For that, you need melodrama, heroes and villains.


(Fonte: http://www.thinkfn.com/forum/files/trever_104.gif)

A nossa classe política, com o afã de agradar às massas e de obter votos, olha para a subida dos preços dos combustíveis como uma ameaça. Nada mais errado. Esta é a oportunidade que faltava não apenas para se olhar para a poupança de energia como algo absolutamente fundamental nas sociedades modernas, mas também para se investigar e desenvolver tecnologias alternativas aos combustíveis fósseis, que reduzam a nossa dependência do petróleo (estou a pensar em veículos eléctricos ou na microgeração, por exemplo). E claro, interpretar a alta de preços como um estímulo fundamental para cada um de nós reduzir o seu consumo energético e ajudar o ambiente.

4 comentários:

João disse...

Adorei! Há que arranjar explicações emocionais, faz algum sentido... ihihi

Henrique Gomes disse...

Eu até concordo e cosigo ver a falta de razões lógicas para tentar criticar este aumento no preço dos combústiveis - inclusíve a falta de emrcado liberalizado em Portugal nesse aspecto, mas para mim há duas questões que são importantes: i) Não perde o Estado dinheiro em ISP ao termos Portugueses a irem abastecer em Espanha? (nesse sentido seria bom ver quantos o fazem diariamente), e ii) Sendo o mesmíssimo ISP e valor base do petróleo, porque é que que nas bombas dos centros comerciais o preço chega a ser 0,30€ mais barato?

Anónimo disse...

A explicação é simples. Os “hipers” vendem combustível a preço de custo (sem sequer entrarem em conta com amortização do investimento ou outras despesas correntes, como pessoal), porque os postos para eles apenas servem para atrair clientes.

Anónimo disse...

Por outro lado, também conta o facto de os Hipers venderem os refinados mais fracos que existem no mercado (no nosso caso, sem aditivação nenhuma).