segunda-feira, 3 de março de 2008

PPR do Estado

"Tendo em conta a gestão do Estado demonstrada no passado com o Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social (FEFSS), gerido pela mesma equipa responsável pelo novo Fundo de Certificado de Reforma, a gestão pública só perde para três fundos plano poupança-reforma (PPR) privados: 90% dos PPR privados têm retornos historicamente mais baixos."


"Os novos Certificados de Reforma, que podem ser subscritos a partir de hoje, vão permitir receber o capital acumulado sob a forma de uma renda mensal vitalícia. O valor deste complemento será actualizado todos os anos, de forma a compensar a perda de poder de compra devido à subida dos preços. O factor utilizado nesta revisão será o objectivo do Banco Central Europeu para a taxa de inflação na Zona Euro, que actualmente é de 2%."

(Fonte: Jornal de Negócios)

"Segundo confirmou ao DN o presidente do Instituto de Gestão de Fundos da Segurança Social, Manuel Baganha, os planos poupança-reforma (PPR) públicos terão um custo na ordem de 0,1% dos volumes sob gestão. Uma despesa que compara com os cerca de 1% cobrados, em média, pelos PPR privados com um perfil de risco semelhante."

(Fonte: Diário de Notícias)


O que salta à vista é que, no meio de tanta argumentação a favor da livre iniciativa de mercado, é preciso vir o Estado e o seu PPR público para pôr em cheque os miseráveis PPR apresentados pela maioria dos bancos aos seus clientes, com comissões de gestão, transferência e resgate completamente absurdas e com rentabilidades muitas vezes inferiores à inflacção e também inferiores aos 5,8% conseguidos nos últimos anos pelo Fundo gerido pelo Estado.

Não sendo eu nada favorável aos PPR (do Estado ou de outra entidade qualquer) visto terem demasiadas condicionantes para a rentabilidade que apresentam (no rácio rentabilidade/risco/comissões, um Fundo de ciclo de vida com horizonte temporal longo é bem melhor), tenho de salientar que teve de ser a intervenção do Estado a dinamizar as alterações na concorrência, que espero se traduzam em melhores produtos apresentados pelos bancos aos seus clientes.

1 comentário:

Diogo Teixeira disse...

O mercado dos PPR é de facto insuficientemente concorrencial e os bancos / seguradoras estão agora a colher os frutos dessa ausência de dinamismo: não souberam sensibilizar os clientes sobre a necessidade de investir em produtos sem garantia de rendimento anual (os únicos a poderem ter uma rentabilidade satisfatória a longo prazo) e preferiram aproveitar a venda fácil do benefício fiscal. Esperamos que a entrada do Estado no mercado permita uma tomada de consciência dos Portugueses sobre a necessidade de poupar (de forma dinâmica) para salvaguardar as suas reformas.