segunda-feira, 13 de outubro de 2008

O que vale é que quando é para gastar, o fazemos à grande

Lembram-se dos 700.000 milhões de dólares previstos no Plano Paulson, que todos diziam ser uma enormidade que pesaria sobre o bolso dos contribuintes? Correspondem a sensivelmente 5% do PIB Norte-Americano, segundo dados do FMI para 2007.

Pois bem, os 20.000 milhões de euros de garantia prestada pelo Estado aos bancos até 31 de Dezembro de 2009 corresponde, grosso modo, a 12% do PIB nacional (expresso em euros).

5 comentários:

Rik disse...

São 2 planos totalmente diferentes. Aliás, os Estados Unidos estão a planear implementar um sistema semelhante ao que foi implementado cá para além desse plano dos 700 biliões.

Num, o dinheiro é injectado directamente nas empresas; no outro (o nosso e o dos restantes países da Europa) o Estado dá garantias a empréstimos que os bancos tenham que fazer, de modo a permitir que as instituições recuperem por si.

Sinceramente, e tendo em conta que os nossos bancos não estão tão envolvidos com o sub-prime como isso, parece-me a opção correcta. Nos Estados Unidos, uma solução só como a da Europa não seria suficiente.

Pedro Gomes disse...

É um facto que os planos ão diferentes, e em Portugal o governo "apenas" fornece garantias que os bancos poderão ou não usar. Mas tendo em conta o evoluir da situação financeira mundial (o problema há muito que deixou de ser o subprime), acho pouco crível que os bancos portugueses não veham a ter os problemas que os seus congéneres europeus já apresentam.

Por outro lado, com esta medida surge outra preocupação já levantada num Fórum: se o Estado garante liquidez desta maneira, nada impede um banco em dificuldades de se financiar com a garantia do Estado, para "emprestadar" aos amigos.

O mais provável de sair destas medidas, é a maior fraude da história.

Rik disse...

Acho que estás errado no ponto em que dizes que o problema nunca deixou de ser o subprime. Continua a ser e a falência dos bancos deriva do descontrolo total que a banca norte-americana teve nos ultimos anos.

Quanto às garantias que o estado dá... não acredito que sejam dadas garantias a empréstimos loucos... principalmente quando a economia está na ordem do dia!

A não ser que o estado faça o seu próprio subprime :P

Pedro Gomes disse...

Pois é Ricardo, olha que já esteve mais longe :)


"O Estado deverá criar um fundo de investimento imobiliário em arrendamento habitacional (FIIAH) que terá como finalidade absorver casas de famílias que estejam em incumprimento. As famílias poderão vender a este fundo o imóvel, passam a pagar uma renda e têm a opção de recompra da casa até 2020. A notícia é avançada pelo «Diário Económico» na edição de hoje, que revela que esta medida deverá constar no Orçamento do Estado para 2009."

Rik disse...

Aí entra uma diferença bastante grande em relação ao caso Americano que tens q ter em conta:
o mercado imobiliário português já está em quebra há 2 anos pelo menos e os bancos fazem avaliações de casas bem mais por baixo.

A noticia como a mostras não nos dá a informação completa, mas é uma medida que também foi aplicada nos estados unidos. O objectivo é impedir que as familias fiquem sem as casas... isso gera um problema social bastante grande.

E olha que essa... então há dinheiro para os bancos, mas o zé povinho vai para a rua? Se há para uns também deve haver para outros.

Acho que são medidas importantes, já que espero que o impacto da crise em Portugal seja bem menor. Acho que era o Expresso que referia que os Bancos portugueses têm muito capital preso nos empréstimos a portugueses, que mesmo assim trabalham e pagam a horas na sua maioria :P