quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Já não há pachorra...

Para as acções de promoção ao "Magalhães" que o nosso primeiro-ministro insiste em fazer de cada vez que aparece em público. Com o país em vias de atravessar uma grave crise económica, não ocorrerá mais nada a a José Sócrates do que andar a fazer estas tristes figuras na Cimeira ibero-americana?

"Durante mais de cinco minutos, Sócrates apresentou o Magalhães como sendo «o primeiro grande computador ibero-americano», dizendo mesmo que é uma «espécie de Tintim: para ser usado desde os sete aos 77 anos».

«Não há um computador mais ibero-americano do que este, desde logo porque se chama Magalhães - e não há nome mais ibero-americano do que Magalhães», disse, acrescentando que todos os seus assessores usam diariamente o Magalhães para o seu trabalho."


Esta última frase, então, é mesmo muito boa. Mas o raio do portátil não se destina a crianças?

6 comentários:

Sara SC disse...

Eu nem tenho palavras p descrever a vergonha q senti enquanto Portuguesa! Cm é possível um Primeiro-Ministro, alto representante de um Estado, ter gasto todo o seu tempo de intervenção a falar sobre as características do Magalhães (é resistente a quedas e aos líquidos?!?!!??!...)!?!??! E as piadinhas tristes pelo meio?!?! N sei cm o rei de Espanha n se dirigiu a ele cm o seu célebre "Porque no te callas??" Teriam sido bem vindas estas palavras!!
ps - e qt ao facto dos assessores usarem o Magalhães pq n precisam de mais nd...então pronto, tá explicada a razão da nossa triste situação política!!!

Anónimo disse...

o Magalhães demonstra o alto potencial das crianças ... não sabem elas mais de computadores do que muitos adultos (sobretudo dos que trabalham com o PM) ?
o rei de Espanha (estranho esta do rei andar sempre atrás do Zapatero e depois o Soares é que gostava da passeata) ainda não entendeu nada do Magalhães nem lhe passa pela cabeça que é o 'seu' magallanes o do estreito.

Teco disse...

To Sara: ele não gastou todo o seu tempo de intervenção a falar do magalhães, e acções destas apesar de parecerem rídiculas são necessárias. Podes é censurar ter optado por tornar o seu discurso de abertura numa acção comercial, que isso sim já fragiliza a imagem de Portugal. Têm piada que quando se fala do atraso de Portugal todos atiram uma pedra, quando finalmente surge uma luzinha ao fundo do túnel com um investimento político nas novas tecnologias vêm todos gozar e atirar ovos.
Se calhar era melhor ele abrir a sua intervenção convidando todos a visistarem o solarento Allgarve e a provarem umas Sardinhas ou uns torresmos...

Henrique Gomes disse...

Resultado de tanta aposta nas promoção das novas tecnologias: no sábado estava na worten e vi uma família dita de classe baixa (detesto estas classificações, mas pronto) a querer comprar um "computador portátil para a menina" - que digamos, já não era bem uma menina ;-)

Por maldade perguntava-me se saberiam sequer utilizá-lo ou o que estavam a comprar?

Enfim, agora imaginem o resultado da promoção de Sócrates num país como o Brasil, que tem uma população tão grande como toda a Europa e é talvez menos avesso aos produtos "Made in Portugal"?

Cumprimentos.

Pedro Gomes disse...

Teco, não vale a pena dourar a pílula: foi mesmo ridículo. Deixo aqui algumas palavras de Pacheco Pereira, com o qual eu tenho pela primeira vez concordância total:

"Eu imagino o ar entalado do ministro dos Negócios Estrangeiros, um homem civilizado e capaz, moderado e "diplomata", no bom sentido da palavra, ao ver o que se estava a passar, ao ver o seu primeiro-ministro a fazer de vendedor de cobertores como se estivesse numa feira manhosa, promovendo o "verdadeiro computador ibero-americano". Sócrates, na pele de vendedor de uma empresa privada, a JP Sá Couto, que produz em regime de monopólio um computador que o Estado português "compra", sem concurso público, em condições mal explicadas e mal esclarecidas, deu mais um passo num processo bizarro de envolvimento do Estado português como caixeiro-viajante de uma só empresa portuguesa. Imagino o que dirão as outras empresas do mesmo ramo, esmagadas perante esta competição desigual.

Ninguém está obviamente contra a chamada "diplomacia económica", nem ela em si rebaixa ninguém. Os americanos vendem a Boeing, os finlandeses a Nokia e os franceses o Airbus, os franceses aliás vendem até muito mais do que o Airbus, a julgar pelas armas que Saddam tinha, já o embargo internacional ao Iraque estava em vigor. Mas o caso do "Magalhães" está a transformar-se numa estranha promiscuidade entre uma empresa privada, na qual o Estado português formalmente não tem qualquer interesse, nem escolheu por qualquer concurso público (o mito urbano é que foram as operadoras de comunicação que decidiram tudo sobre o "Magalhães", que apenas depois foi colocado no sapatinho do primeiro-ministro para ele fazer propaganda), e que acaba por se tornar central na política de vendas do Estado português. A JP Sá Couto não trabalha de graça, como é óbvio, e beneficia exponencialmente de ter a diplomacia portuguesa e o primeiro-ministro a vender os seus produtos e a aumentar os seus lucros.

Mas a história só piora cada dia. Ela está a degradar cada vez mais a nossa política externa, com momentos ridículos, pasto dos Gatos Fedorentos, tanto mais que se passam numa cimeira internacional. É penoso ver Sócrates a dar computadores, numa extensão do e-escolinhas, aos chefes de Estado ibero-americanos, perante o sorriso irónico da maioria dos chefes de Estado, que, ou aproveitavam a descontracção para ir ver o correio íntimo ou o site dos jornais da oposição dos seus países (quando ainda sobrevive a oposição), ou o puro desinteresse daqueles que não estão ali para ouvir aquelas brincadeiras um pouco inconvenientes. Sócrates nem sequer se apercebe, que, quando diz que o computador é resistente aos líquidos, pela cabeça daqueles adultos empedernidos, os líquidos que se imaginam não são propriamente nem água, nem leite, nem iogurte.

Mais. Sócrates obviamente nunca faria uma cena daquelas num conselho europeu, e nessa diferença está a rebaixar os seus anfitriões, como se estivesse ali a fazer de sr. Oliveira da Figueira, a trocar umas contas de vidro por ouro entre os tuaregues do deserto. Sócrates falava para os "índios". E os "brancos" na reunião, como Zapatero, estavam noutra. Um desses índios, explicou ele, uma criança grande chamada Chávez, uma criança descuidada e desajeitada, até tinha atirado o "Magalhães" ao chão para lhe gabar a resistência. E nem sequer passava pelo óraculo da televisão a mensagem de "Não tentem repetir isto em casa". Gostava de ver as criancinhas, perante o olhar horrorizado dos pais, a atirar o "Magalhães" contra as paredes. Experimentem e mandem a conta a Chávez e a Sócrates.

Eu tinha vergonha de lá estar e ouvir um primeiro-ministro de Portugal a dizer que os seus assessores não precisavam de outro computador para trabalhar a não ser o "Magalhães", concebido para as crianças do ensino básico, o que implica que devem passar o dia a soletrar a tabuada com carneirinhos e florzinhas a voar no ecrã. Deve ter sido assim que foi feito o Orçamento pelos assessores, a jogar ao "peixinho" no "Magalhães", até que uma "mão invisível" saindo da sombra, certamente com um Dell ou um Sony Vayo ou um MacBook Air ou um qualquer computador muito a sério, lá escreveu a anónima alteração da lei do financiamento partidário. Essa não foi feita de certeza num "Magalhães". É que, se fosse verdade que os seus pobres assessores tivessem de laborar nos seus gabinetes de "Magalhães" à frente, o que obviamente não é verdade, isso diria muito sobre o infantilismo de toda esta conversa."

Sara SC disse...

O Pacheco Pereira tirou-me as palavras do teclado =P