terça-feira, 4 de novembro de 2008

Afinal o paradigma desta nossa economia não muda mesmo

Recebi há pouco tempo um catálogo do Montepio referente às super vantagens do cartão de crédito MEGA (ao qual aderi já há algum tempo).


Raramente o utilizo, mas fiquei curioso e o catálogo até é apelativo, pelo que resolvi dar uma olhadela, não fosse estar a perder algo de grandioso.

Supostamente ao utilizar o cartão em certas operações, irei acumular pontos que podem ser trocados por prémios e ainda me dão 50 pontos iniciais por já ser cliente - fui confirmar no extracto, estão lá!

Até aqui sem problemas, mas mal começo a olhar para os pontos necessários para poder reclamar os "bons prémios", que susto! Um kit Home Cinema, 3050 pontos; uma máquina de cerveja, 3140...

Folheei mais um pouco e, na secção "Tecnologia" lá encontrei uma caneta USB 2.0Gb por "apenas" 300 pontos. Fiz as contas, para poder ter este prémio basta-me: i) gastar 1.500,00 € em compras, ii) ter 6.000,00 € de saldo sujeito a juros, ou iii) ter mais de 15.000,00 € em movimentos efectuados durante o período do extracto.

Pois é, não é engano... viram bem! Por uma pen que custa 5€ em qualquer loja de informática que se preze, tenho de gastar pelo menos 1.500€!? Ora pensem lá bem, se gasto 1.500€ com um cartão de crédito, vou mesmo querer uma pen que vale 5€, ou dar-me ao trabalho de estar a trocar os pontos? Mas esperem,há mais: o MEGA supostamente é para jovens, já estou a ver o desespero dos pais com as súbitas despesas dos filhos.

Enfim, se isto não é promover o consumo a crédito entre os jovens, então percebi mal. Para mim esta campanha não faz qualquer sentido. Lá se vai a minha boa impressão do Montepio...

1 comentário:

Pedro Gomes disse...

Manito, sobre este tipo de iniciativas dos bancos a minha opinião não tem mudado muito e é a seguinte: só gasta quem quer, se o banco está apertado de dinheiro faz o que pode para conseguir mais algum.

Não podemos é dar liberdade às pessoas, sem a consequente responsabilidade pelos seus actos, sejam eles bons ou maus.