quinta-feira, 25 de outubro de 2007

A Pegada Ecológica do Parlamento


A Visão desta semana, dedicada ao ambiente, apresenta os resultados de um mês de avaliação dos hábitos dos nossos deputados. Conclusão: em média, cada parlamentar necessita de 7,2 hectares para suprir as suas necessidades e assimilar os resíduos produzidos. Este valor está bem acima dos 4,5 hectares que correspondem à média nacional e corresponde a quatro vezes os 1,8 hectares de área biologicamente produtiva por pessoa que existem na Terra.

Os resultados variam consoante o partido político, e apresentam alguns dados interessantes:


BE - Pegada média 3,2 ha. 1 deputado acima da média nacional, 7 abaixo;
PEV - Pegada média 4,2 ha. 1 deputado acima da média nacional, 1 abaixo;
PCP - Pegada média 6,7 ha. 12 deputados acima da média nacional, 0 abaixo;
CDS-PP - Pegada média 6,7 ha. 10 deputados acima da média nacional, 2 abaixo;
PS - Pegada média 6,9 ha. 98 deputado acima da média nacional, 22 abaixo;
PSD - Pegada média 8,7 ha. 65 deputado acima da média nacional, 11 abaixo.

Portanto, o BE é o partido com maior consciência ambiental, seguido pelo PEV. O PS e os partidos à direita ficam mal na fotografia. Para quem afirme que o Ambiente é uma bandeira da esquerda, estes resultados dão-lhe razão.

Como bons exemplos temos os deputados João Semedo (BE, 2,6 ha), Ana Drago (BE, 2,7 ha), Matilde Sousa Franco (PS, 2,8 ha), Helena Pinto (BE, 2,8 ha), Luís Carloto Marques (MPT, 3,0 ha), Francisco Louçã e Luís Fazenda (BE, 3,0 ha) e Miguel Coelho (PS, 3,2 ha)

Os maus exemplos vêm quase todos do PSD: Jorge Neto (20,1 ha), Miguel Santos (15,7 ha) Raul dos Santos (14,5 ha) e Hugo Velosa (13,1 ha). Pelo meio encontramos Mota Andrade (19,1 ha), do PS.

PS - A minha pegada ecológica corresponde a 3,2 ha. Pode calcular a sua aqui.

6 comentários:

Henrique Gomes disse...

Bolas! O meu deu 3,6ha, mesmo assim abaixo da média nacional... acho que o facto de andar muito de avião é que me prejudica, porque de resto sou ambientalmente irrepreensível ;-P

Agente P. disse...

Este conceito de Pegada Ecológica é do mais fraquinho que há (para não dizer cientificamente duvidoso).
Uma tentativa parva de gerar "awareness" e comportamentos ambientalmente responsáveis responsáveis que reduz a Natureza e a Terra onde habitamos a uma mera "entidade geradora de serviços" com x capacidade de regeneração. Eu consumo 3.6 estou abaixo da média - ele consome 1.8 é um espectaculo. Tudo convertido numa unidade aglutinadora, o ghectare. Genial...

E mesmo integrando que as contabilizações são possiveis e que são exatas na mesma ordem de grandeza (coisa que tenho muitas duvidas), sendo que o objectivo ultimo será gerar comportamentos ambientalmente correctos a questão coloca-se:

Sujeito 1 - Uma besta completa que come tudo embalado - só carne-, anda 700 km por semana num V8 que gasta 30l/100 de gasolina com chumbo (importada de marrocos) tem uma arvóre de natal que não desliga o ano todo e gosta de ligar o ar condicionado no Alpendre para "sentir o vento". Não anda de avião pq é claustrofóbico.

Sujeito2 - Alguém que recicle, que reduza a quantidade de residuos produzidos, que utilize um automovel hibrido com sempre com uma alta taxa de ocupação, que seja vegetariano e que por obrigações profissionais seja obrigado a fazer 250 horas de aviao por ano... é uma besta que vai ter uma pegada ecológica brutal.

Conceito de aferição de comportamentos bastante interessante... O impacte das deslocações de pequeno curso a nivel de aviação é gigantesca, deturpando toda a análise. Sabendo que Portugal está no extremo da Europa, tornando inviável qualquer deslocação utilizando outro meio de transporte... A nossa acessilidade ao espaço comum (já não digo mobilidade) reduz-nos a uns "BigFoots" ambientais.


Não tenho um hibrido, não sou vegetariano, tento andar de transportes publicos, reciclo, utilizo equipamentos energeticamente eficazes e tenho a casa equipada com paines solares. Este ano já fiz 140 horas de avião.
resultado - um porradão de ghectares:)
Posso tentar ir de bicicleta para Bruxelas - mas não garanto...

Abraços.

P.S. Para o cálculo da pegada o site http://footprint.wwf.org.uk/ é bem melhor.

Pedro Gomes disse...

Agente, num aspecto concordo contigo: A PE é um conceito muito pouco científico... Mas não é esse o seu objectivo fundamental, mas sim a sensibilização da população em geral. Já desenvolvi actividades com jovens, onde estes calculavam a sua PE, e coomparavam com amigos e colegas, ao mesmo tempo que lhes dávamos conselhos acerca de como poupar água, energia, e produzir menos resíduos em casa. Regra geral a PE funciona muito bem quando aplicada neste contexto.

Mas de facto, funciona mal se deixamos de comparar grupos etários/profssionais diferentes: as necessidades são diferentes, epor isso os resultados também serão pouco comparáveis. Podes o sujeito 1 e o 2 se tiverem um dia-a-dia semelhante, e a coisa funciona bem. Agora compará-los com alguém que, como tu, necessita de se deslocar frequentemente de avião, faz pouco sentido. Até porque o cálculo da PE não tem em conta a necessidade de deslocações profissionais, o que é pena. Tanto simplificaram que acaba por ser demaisado... simplista.

PS- Fui calcular a minha PE segundo o novo site que me indicaste (é realmente melhor. Só referi o site do post porque foi a base de cálculo da Visão). O resultado foi que seriam necessárias 2,7 Terras para suportar o meu estilo de vida.

Sara SC disse...

Muito interessante este exercício...PCP e CDS empatados!! Quem diria...LOL!!

Agente P. disse...

:) Normalmente os extremos têm muitas semelhanças. Que o diga o Presidente da Comissão Europeia... e daí talvez não!

mjoão disse...

Calculei com a fonte referida pelo Pedro e deu-me 3,3! Nada mau ;)