sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Cuidado com alguns Biocombustíveis

Pois o seus efeitos, longe de serem a panaceia esperada, poderão contribuir ainda mais para o aumento do efeito de estufa. Tendo em conta uma estratégia política de diversificação de fontes energéticas (ficando os países ocidentais menos dependentes de nações como a Rússia ou a Arábia Saudita), defendo que os biocumbustíveis podem ser parte da solução para a mitigação dos efeitos do aquecimento global, mas não são a solução. Sobretudo se na origem do Etanol estiverem culturas pouco eficientes como o milho, à imagem do que tem sido feito nos Estados Unidos.

"Almost all biofuels used today cause more greenhouse gas emissions than conventional fuels if the pollution caused by producing these "green" fuels is taken into account, two studies published Thursday have concluded.

The benefits of biofuels have come under increasing attack in recent months as scientists have evaluated the global environmental cost of their production. The new studies, published by the journal Science, are likely to add to the controversy."


Pode ler o artigo completo aqui.

2 comentários:

César David Sousa disse...

Ainda assim, é preciso não esquecer que se trata de um recurso renovável - por um lado - e de mais fácil produção, por outro.

Seria possível ambicionar uma igual repartição do poder por todo o mundo, a nível energético? E serão de facto esses estudos isentos e completamente alheios aos interesses das companhias petrolíferas e associados? São questões que me deixam sempre de pé atrás, quer nesta questão dos biocombustíveis, quer noutras questões intimamente relacionadas, como a do aquecimento global, and so on, and so on.

Muitos defendem que o aquecimento global se trata de um mito porque, na verdade, a quantidade de dioxido de carbono enviada para a atmosfera devido à utilização de petróleo não chega a 2% da totalidade de dióxido de carbono que é emitida, naturalmente, pelas árvores, plantas e animais.

Há quem diga, no entanto, que é a produção adicional de dióxido de carbono, que estava retido no solo (em forma de combustível fóssil) e que é libertado após ser consumido, que causa o impacto negativo. Neste caso em concreto, plantações como o milho necessitam de dioxido de carbono para existir e desenvolver-se, ao contrário do petróleo - durante o dia, as plantas libertam oxigénio, e absorvem dióxido de carbono - contando por isso para a quantidade de dióxido de carbono que está em permanente ciclo na atmosfera terrestre, e não para aquela que está presa no subsolo, e que, supostamente, sem interferência do homem, aí deveria permanecer.

Ou seja: se de facto os biocombustiveis libertarem mais dióxido de carbono (e resta saber os parâmetros utilizados nesse estudo para chegar a essa conclusão), a verdade é que também possuem a capacidade de o voltar a reter, ao contrário dos combustíveis fósseis. E outro facto bem conhecido é que as florestas estão a desaparecer (a tal grande maioria bastante responsável pela emissão de dioxido de carbono para a atmosfera). Então como explicar o aumento extra?

Por outro lado ainda, o Etanol não é uma planta viva, usada directamente, mas um composto químico, que admito ser possível que liberte mais dióxido de carbono que os combustíveis fósseis. A questão é: terá todo este contexto sido considerado no referido estudo? Não pondo em causa, até que ponto não são facciosas as conclusões de certos estudos ditos "científicos", bem encomendados por X ou por Y, que parecem ter mais o propósito de dominar e controlar a opinião pública do que outra coisa qualquer?

César David Sousa disse...

Ok, já li o artigo. Mas só há uma coisa que parecem esquecer-se: é que, com a ascensão dos biocombustíveis, a produção de energia derivada de combustíveis fósseis deveria decrescer. Não? Mantendo tudo como está e partindo da premissa que se vão destruir florestas para plantar milho, parece-me (parece-me) que as conclusões são verosímeis; mas trocando as florestas por refinarias, chegaríamos À mesma conclusão? Eventualmente, o petróleo e o carvão vão acabar... não sei. A curto prazo, admito que o estudo possa dar razão aos cépticos em relação aos biocombustíveis. A médio e longo prazo, tenho algumas dúvidas.